Nos últimos anos o futebol português tem sido invadido por milhares de jogadores estrangeiros, quase todos sul-americanos, sendo a maioria brasileiros.
Portugal gasta anualmente muitas dezenas de milhões de euros na aquisição de futebolistas estrangeiros.
Curiosamente, tanto a comunicação social como todos os que escrevem ou falam sobre o futebol português, promovem um equívoco que, objectivamente, dá muito jeito.
Confundem-se os conceitos de Clube, SAD e Equipa.
Se meditarmos um pouco concluiremos, naturalmente, o seguinte:
Um “Clube” é uma instituição desportiva formada por sócios pagantes, na quase totalidade portugueses. Tem emblema português e foi fundado em território português. Podemos dizer que os clubes em Portugal que satisfazem estas condições são “clubes portugueses”.
Uma “SAD” (Sociedade Anónima Desportiva) é uma empresa com um determinado capital, materializado em acções, por vezes com cotação na Bolsa. Quem manda numa SAD é quem tem a maioria do capital. Podem ser pessoas, bancos, empresas, etc., portugueses ou estrangeiros. Há SADs como a do Chelsea (de um russo) ou a da A.S. Roma (de americanos) que não estão na mão de nacionais do país a que pertence o Clube. Uma SAD pode não ser propriedade de entidades do mesmo país que o respectivo Clube.
Uma “Equipa” é um conjunto de jogadores (11 mais os suplentes), que entram em campo para disputar um determinado jogo, utilizando um equipamento representativo do Clube, que ostenta o respectivo emblema no peito. Após a Lei Bosman, existe livre circulação de jogadores profissionais de futebol, desde que contratados de acordo com a legislação e regulamentação em vigor. Esses jogadores tanto podem ser do mesmo país do Clube, como podem ser estrangeiros, total ou parcialmente.
Será que é correcto dizer ou escrever que as equipas do SLB (que joga em média com 1 ou 2 portugueses), do FCP (que joga em média com 2 ou 3 portugueses) e do SCB (que joga em média com 2 ou 3 portugueses) são “equipas portuguesas”? Ou serão mais sul-americanas?
Será correcto falar-se em grande sucesso das “equipas portuguesas” e do “futebol português” nas competições europeias, quando estas 3 equipas jogam com 75% a 90% de jogadores estrangeiros, maioritariamente sul-americanos?
Clubes portugueses, equipas maioritariamente estrangeiras, futebol multinacional.
Por muito mérito que tenham os Clubes e respectivas SADs, os seus dirigentes, assessores, técnicos, equipa médica, etc., aquelas equipas actualmente não são portuguesas. Ainda poderia admitir essa designação se mais de metade dos jogadores fossem portugueses. Assim, só estamos a enganar-nos e a prejudicar o verdadeiro futebol português, aquele que é jogado por portugueses.

