Jacques Rogge veio afirmar em conferência de imprensa que a desclassificação de Marion Jones, por doping, não levará a um arranjo automático das classificações dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000.
“Não haverá uma reclassificação automática. Cada atleta potencialmente reclassificável será escrutinado tendo em conta o seu mérito. Queremos premiar atletas que sabemos estarem absolutamente limpos”
Estas declarações prendem-se com o facto da segunda classificada na prova dos 100 metros de Sidney ser Ekaterini Thanouk, também ela envolvida em fortes suspeitas de dopagem e violação das regras antidopagem, com sucessivas fugas a controlo surpresa.
Ficámos pois a saber que o COI vai proceder a reclassificações de atletas em função do seu mérito. Eu só conheço um mérito. O mérito desportivo!
Será interessante aguardar pelos próximos episódios desta novela para saber como o COI irá proceder à reclassificação das atletas daquela prova. Poderá vir a ser um método de secretaria inovador, a fazer escola e doutrina...
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Um novo mérito
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João Almeida
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Olimpismo
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Profissionalização - Que rumo?
As minhas atribuições na gestão de um complexo desportivo possibilitam-me o contacto regular, há vários anos, com um clube de futebol profissional e com os árbitros de 1.ª categoria dessa modalidade que treinam nestas instalações.
As diferenças no apoio técnico e logístico no planeamento das sessões de treino e durante a sua realização são enormes entre estes dois utentes, com natural vantagem para o clube, repetindo-se todos os anos esta decalage, apesar de permanentes mudanças anunciadas na comunicação social para a arbitragem no inicio de cada época desportiva.
Muito se tem falado em profissionalização da arbitragem. Questiono-me quais os objectivos e a valorização desportiva gerada pela profissionalização se as condições de treino e apoio técnico aos árbitros se mantiver nas condições que semanalmente presencio.
Quais os objectivos da profissionalização? Baseado em que diagnóstico? Qual a estratégia a implementar? Quem avalia este processo? Que resultados e impactos se prevêem para a melhoria da qualidade do futebol? Que condições de treino, formação e suporte técnico estão previstas para os árbitros? Quais os agentes envolvidos e de que forma o fazem? Qual a metodologia e etapas de implementação? Com que estrutura? Coordenada e financiada por quem? São algumas questões que me ocorrem
Não estaremos a queimar etapas e a construir a casa pelo telhado? Deixo a palavra aos entendidos…
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João Almeida
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13:21
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Desporto profissional
Mérito internacional
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josé manuel constantino
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Escolas do Desporto
As poderosas e o meu pesadelo…
Devido às competições europeias, acabei o dia a jantar com amigos doentes pelo futebol, os quais me informaram, sem se coibirem de revelar o seu espanto, que o Roma que defrontará o Sporting tem como administradora uma mulher de armas e que outras áreas, entre as quais, a das finanças, a da comunicação e do marketing, são igualmente lideradas por mulheres. Claro que algumas das mulheres presentes, logo atacaram com imensas “poderosas”, como Angela Merkel ou Benazir Bhutto, até que alguém finalizou esta conversa parafraseando o “baixinho” – Habituem-se…
Quando me deitei, o meu inconsciente, provavelmente por ter sido enxofrado todo o dia por “tanto poder feminino”, levou-me para um sonho cómico: a primeira reunião do Conselho Nacional do Desporto composta pelos seguintes elementos:
30 Mulheres e 2 Homens, designadamente:
.A Secretária de Estado da Juventude e do Desporto (a presidir);
.A Presidenta do IDP;
.Oito mulheres representantes de Ministérios, das Regiões Autónomas e da Associação Nacional de Municípios Portugueses;
.A Presidenta do Comité Olímpico de Portugal;
.A Presidenta da Confederação do Desporto de Portugal;
.A …
.A …
.O Presidente da Associação Nacional de Adeptos (provavelmente por ter sido uma das poucas entidades presididas por homens que foi olvidada para a composição deste Conselho);
.Um elemento de reconhecido mérito no âmbito da actividade desportiva (Ricardo
Araújo Pereira, insigne colunista desportivo).7h, UFA! Acordei do pesadelo… e ainda um pouco estremunhada tentei imaginar o cenário. Impossível tarefa face ao nosso modelo organizacional desportivo, ainda na fase da pré-história.
Enfim, estamos salvas/os…! E hoje é um outro dia…
Nota: Desejo, sinceramente, bom trabalho para as duas mulheres que integram o CND.
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Maria José Carvalho
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domingo, 4 de novembro de 2007
As eleições para a FPF
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josé manuel constantino
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sábado, 3 de novembro de 2007
Dopagem: meios e fins
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José Manuel Meirim
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Direitos fundamentais,
Ética desportiva
Doping e direitos humanos
Luc Misson, advogado belga envolvido no caso Bosman volta, segundo notícia o jornal Público de ontem, a assumir a defesa de um caso que pode vir a abalar o desporto europeu.
Misson foi contratado por Andrei Kaschechkin, ciclista russo, acusado de dopagem num controlo extracompetição que a União Ciclista Internacional (UCI) submeteu ao atleta em 1 de Agosto
O advogado está disposto a levar o caso até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, contestando a legitimidade da UCI para realizar controlos antidoping, defendendo que só as autoridades públicas o podem fazer, e que os testes devem ser “livremente aceites por quem é visado”.
Para Misson “ as análises sanguíneas e os controlos surpresa constituem atentados à vida privada dos ciclistas” O causídico considera que as deliberações das comissões disciplinares das federações desportivas que emitem punições por doping violam o princípio de direito a um processo justo num “tribunal independente”.
Após os alertas sobre o respeito pelo direito da concorrência em questões de doping levantados pelo caso Meca-Medina, e das posições das autoridades desportivas sobre o perigo que a jurisprudência do Tribunal de Justiça das Comunidades trouxe, neste caso, para a especificidade do desporto e do seu modelo europeu de organização (v. http://pt.uefa.com/MultimediaFiles/Download/uefa/KeyTopics/480391_DOWNLOAD.pdf) volta a alertar os poderes desportivos para o respeito, nos seus regulamentos e decisões, pelas liberdades fundamentais definidas nas normas comunitárias.
Os tribunais europeus têm vindo a refrear os intentos das autoridades desportivas e das instâncias políticas comunitárias de, ao abrigo da especificidade do desporto, regularem e disciplinarem esta actividade, muitas vezes de uma forma desproporcionada, à margem dos princípios gerais do direito comunitário e das liberdades que fundaram as bases do mercado único europeu.
Fica o aviso que o caminho da especificidade, consagrado no Tratado de Lisboa, está a ser acompanhado pelos tribunais europeus, mesmo quando se recorre a um tipo de justiça privada, como é o caso do desporto, em particular do doping.
Reflectir sobre o doping passa por enquadrar mecanismos de controlo que garantam uma monitorização eficaz dos atletas (onde os controlos extra competição e o sistema de localização são instrumentos importantes) com o respeito pela liberdade no exercício da profissão e pelos direitos laborais dos atletas, nomeadamente a sua privacidade.
As notícias recorrentes sobre redes de cumplicidade e influências politicas entre o Sr Pound, o COI e os interesses de laboratórios farmacêuticos, bem como acusações de forte politização do movimento desportivo aquando da retirada da candidatura do antigo ministro dos desporto gaulês Jean-François Lamour à presidência da Agência Mundial Antidopagem (AMA), para suceder a Richard Pound, não auguram nada de bom para a transparência e eficácia na luta contra a dopagem.
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João Almeida
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12:36
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Ética desportiva
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Pobre país!
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josé manuel constantino
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Ética desportiva,
Jovens e desporto
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
gestão sem orçamento
João Florêncio demitiu-se de treinador da equipa principal de andebol do Belenenses, alegando "um vazio enorme na organização do andebol do Belenenses".
Mais afirma que não recebeu qualquer ordenado referente a esta época desportiva. Nas suas palavras: "Chegou o dia 25 não se falou com ninguém. Ninguém assume as responsabilidades. Este é o ponto principal"
Os atropelos à regulamentação sobre competições desportivas profissionais, ou às obrigações contratuais para com atletas profissionais, não são nada de novo neste país, como amiude se dá conta com a abertura de qualquer jornal. Se a isto acrescer o ambiente tenso em que vive a organização do andebol nacional...
Inovador é saber, pelas palavras do treinador, que o clube não tem um orçamento!!!
Sem entrar em pormenores jurídicos sobre este facto, detenho-me apenas nas questões de gestão desportiva.
Um orçamento é uma previsão de receitas e despesas para um determinado período de tempo, de preferência uma época desportiva. Constitui o documento básico da gestão financeira de qualquer organização, profissional ou associativa.
É, assim, a estrutura base para o planeamento financeiro, e por consequência, para toda a gestão desportiva de um clube.
Hoje fiquei a saber que é possivel gerir uma equipa desportiva profissional sem um orçamento. E há quem ainda diga que o desporto português não consegue inovar...
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João Almeida
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22:29
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Desporto profissional,
Gestão desportiva
O ocaso do basquetebol profissional
“Se um miúdo me perguntasse, neste momento, se deveria seguir a carreira de basquetebolista profissional, dizia-lhe logo que não”. Esta foi a afirmação categórica de Alexandre Pires, presidente da Associação de Jogadores de Basquetebol, quando, há uma semana, denunciava em conferência de imprensa os atropelos aos regulamentos por parte das entidades que gerem o Basquetebol profissional e não profissional.Já anteriormente tínhamos assistido a trocas de mimos entre a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) e a Liga de Clubes de Basquetebol (LCB) e até a revelações do presidente da LCB de que iria denunciar junto de várias entidades públicas irregularidades e abusos de poder da FPB. Não foi a isto que o basquetebol nos habituou ao longo dos tempos, sendo até considerada modalidade de referência pelas demais.
Pois claro, sempre e sempre o PODER! E não creio que a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, ao ter atribuído maiores competências às federações, nomeadamente ao nível da arbitragem e da disciplina das competições profissionais, vá solucionar as eventuais querelas resultantes da conflitualidade latente entre as ligas e respectivas federações desportivas.
Enquanto as organizações desportivas não se conseguirem distanciar dos valores tradicionais do modelo europeu de desporto e não substituírem a hierarquia pela heterarquia, a autoridade directa pela conexão comunicativa, a dominação central pela composição policêntrica e a regulação unilateral pelas directrizes policontextuais, de nada serve fazerem regulamentos e mais regulamentos para depois os infringirem.
O modelo europeu de desporto está a rebentar pelas costuras e os nossos dirigentes não revelam suficiente cultura organizacional para superarem os problemas no interior da modalidade. Assistimos há bem pouco tempo à prolongada história do desassossego vivida no andebol entre a federação e a liga profissional com nefastas consequências para a modalidade. É a repetição desse cenário que pretendem as gentes do basquetebol?
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Maria José Carvalho
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18:58
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