Há 4
anos foi com este título que me dirigi à participação da nossa delegação nos
jogos paralímpicos.
Volvido
este tempo, assistimos à constituição ex-legis do Comité Paralímpico de
Portugal (CPP) em 2008 (vide a sua imposição antes da sua criação na Lei de
Bases da Actividade Física e do Desporto), e consequentemente ao primeiro ciclo
paralímpico organizado e liderado sob a sua responsabilidade, missão anteriormente
assumida pela Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência.
Não poderemos assim exigir da delegação portuguesa muito para além do já
excelente desempenho obtido em Pequim: representação
de 33 atletas, em sete modalidades, com a conquista de sete medalhas - uma de
ouro, quatro de prata e duas de bronze -, nas modalidades de atletismo, boccia
e natação.
Na verdade o
CPP está a construir o seu edifício organizacional e a estabelecer as suas
pontes para dar cumprimento ao seu lema “Igualdade, Inclusão e Excelência
Desportiva”, entendendo, contudo, que cabe aos clubes e federações desportivas
o papel decisivo na massificação da prática desportiva para deficientes. Na
verdade, esta não pode estar dependente apenas das suas organizações
especializadas, daí a nota positiva para o projeto inovador do andebol em
cadeira de rodas levado a cabo pela Federação de Andebol de Portugal.
Destaca-se
na atividade do CPP, para além do contrato-programa tripartido a quatro anos, que
envolveu os Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) e o Instituto
Nacional da Reabilitação (INR), a manutenção do principal patrocínio com a Fundação
Galp Energia, o patrocínio institucional com a Câmara Municipal de Loures, a parceria
com a Transportadora Aérea Nacional e com a Autoridade Antidopagem de Portugal,
a aprovação do Regulamento de Apoio ao Desenvolvimento Desportivo (inédito na
história do desporto paralímpico e surdolímpico português), a realização do Campeonato
Mundial de Boccia em 2010 (Lisboa) e a candidatura à organização do Campeonato
do Mundo de Atletismo de 2015. Registo ainda os protocolos de cooperação com a
Universidade de Évora e com a Faculdade de Motricidade Humana e para a Revista
bilingue “Paralympic News” com a primeira edição em julho de 2010.
Fazemos votos para que quem acompanha este blogue e
tão ferverosamente contribuiu para as últimas discussões (uns com registos e
contribuições muito enriquecedoras, outros, principalmente alguns dos anónimos, com
propósitos de maledicência gratuita e escabrosa), não olvide a participação
paralímpica que decorrerá até ao próximo dia 6 de setembro. A Simone Fragoso, 7.º
classificada na final dos 50m livres S5, e todos os demais merecem que
exaltemos os mais nobres sentimentos humanos em detrimento das declarações que nos
aviltam, envergonham e estupidificam.
5 comentários:
Proponho a extinção imediata do COP, substituído unicamente pelo CPP.
Quanto às Federações, deverão alterar os estatutos e dedicar-se exclusivamente ao Desporto para deficientes.
Resolvem-se assim uma série de problemas estruturais do desporto português.
Com tais sentimentos a Mª José até me faz lembrar a Madre Teresa de Calcutá.
Talvez o tipo de Competição que caracteriza e define o Desporto não seja esse que os comentários críticos ao texto que Maria J. Carvalho defendem. Talvez os «quadros competitivos» que definem o Desporto abranjam a Pessoa Humana independentemente da classe etária, da situação socioprofissional, do género, da condição funcional, do tipo de rendimento/marcas, e dos objetos/equipamentos/espaços que são utilizados.
Se assim for, não se percebe o alcance dos comentários que criticam o texto de Maria J. Carvalho.
Talvez o Desporto não se resuma a uns poucos, apenas aos que são geneticamente dotados. Ou destinado apenas aos jovens adolescentes e adultos que conseguem, passo a citar: «alcançar medalhas na Festa Quadrienal». E o resto apenas teria direito a serem espectadores. Talvez esse seja o sonho económico da elite que governa atualmente o COI/COP, sobretudo dos patrocinadores, dos donos dos Media, e dos que aproveitam esse Movimento Olímpico para lavarem Capitais e fugirem aos impostos no Paraíso Helvético.
Talvez seja esse o conceito de Desporto que os comentários críticos defendem. Talvez esse conceito seja mesmo contrário ao Desporto e à Ética que ele representa na Sociedade Humana.
Talvez a Folha A4 acabasse de vez com essa manipulação iníqua, feita por essas ideias espartanas e eugénicas que uns poucos privilegiados andam a fazer ao Estado e ao Desporto. Há tempo demais.
Ou não?
Talvez
Talvez/A4 vive noutro planeta.
Ainda não descobri qual.
No mesmo da Maria José.
Quando descobrir prometo dizer.
Faria um trio interessante com M. Ghandi e Teresa de Calcutta, se não tivessem já desaparecido.
Talvez/A4 é boa pessoa.
É um anjo sem asas.
Os anjos andam pelo Céu.
Ultimamente não os tenho visto cá por baixo.
Tristemente, ninguém fala do êxito da Participação Paralímpica Portuguesa nestes Jogos de Londres 2012. O que é revelador das preocupações desportivas de tanto moralista e tanto douto sabedor que por aqui escrevem.
Talvez
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