terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ainda a limitação de mandatos

Em comentário anterior abordamos a questão da limitação de mandatos dos dirigentes desportivos nos termos previstos no novo regime para quem exerce funções directivas nas federações desportivas. E procuramos defender essa limitação, lamentando que tenha de ser o Estado a impô-la, não sem antes chamar-mos a atenção que a situação actual não é uma exclusividade do desporto e muito menos de Portugal. Poderíamos de resto, recolher o exemplo do próprio proponente, o actual secretário de estado do Desporto, que de acordo com o seu site oficial exerce funções num cargo público há 25 anos, o de presidente da Assembleia Municipal de Fafe, não se sentido abrangido, pelo menos no plano do rigor ético, por qualquer das razões que estão na origem de entender que um dirigente numa federação desportiva, e não apenas o presidente, devem ter limitação de mandatos no exercício do mesmo cargo. Retomamos este assunto por considerarmos que esta questão, que seria uma questão lateral num regime de auto regulação cívica e democrática, não é uma questão central no posicionamento estratégico das organizações desportivas. A renovação só terá alguma utilidade se a alteração de protagonistas for acompanhada de uma mudança de ideias e de projectos que lancem as organizações desportivas em lógicas de trabalho que organizem e melhorem o desporto praticado. O facto de se impedir que certos dirigentes permaneçam na mesma função para além de um determinado período não garante absolutamente nada. Nem assegura que os que entram sejam melhores que os que saem. Pelo que insistir na questão da limitação dos mandatos não nos deve desviar do que é essencial: a necessidade de renovação de estratégias e de projectos com que muitas organizações desportivas estão confrontadas e uma redefinição quer das suas missões, quer do seu posicionamento face ao Estado. O modo como o Estado se sente na necessidade de regulamentar e definir os termos e condições do exercício do dirigismo desportivo e das federações desportivas, em termos pouco comuns no espaço europeu, deveria de resto estar na primeira linha das preocupações dos dirigentes. Por que razão se chegou a este ponto? A meu ver é o resultado de políticas desportivas erráticas em que uma parte significativa do movimento associativo se deixou arrastar exigindo do Estado, muitas vezes com razão, mas cuidando menos da qualidade do seu trabalho, da sua atitude, da sua unidade e da sua autonomia e, por isso, fragilizando muitas das suas razões. Era sobre estas matérias que os dirigentes desportivos se deviam concentrar. O importante não é quem vai exercer o poder e por quanto tempo, mas o que fazer com o poder que durante algum tempo se tem.

1 comentário:

RN [rita nunes] disse...

Caro JMC

Realmente a frase com que termina este “post” deveria ser lida, ouvida e repetida várias vezes por uma grande parte dos nossos dirigentes desportivos. Considero importante que cada vez mais, se olhe menos para o próprio umbigo e para a sua quintinha e se descubra em conjunto o rumo a seguir para o desenvolvimento do desporto nacional.
Ora, aqui está para quem ainda não o fez pela 2ª ou 3ª vez…. “O importante não é quem vai exercer o poder e por quanto tempo, mas o que fazer com o poder que durante algum tempo se tem”.