quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Outros tempos

Caramão, Caselas, Passos Manuel, Encarnação e Boa Hora foram clubes que durante décadas marcaram presença nas competições de topo do andebol nacional, formando gerações de atletas internacionais, técnicos e dirigentes.

Recordam-se com saudade os tempos em que enchiam o Pavilhão da Ajuda ou o Pavilhão da Tapadinha em jogos empolgantes. Para além do jogo em si estava também em disputa a identidade dos adeptos com os bairros de Lisboa que aqueles clubes representavam.

Com o desenvolvimento da modalidade tudo se foi mitigando e apareceram novos protagonistas com melhores condições financeiras. O Boa Hora, ainda assim, foi o clube que ao nível sénior mais tempo resistiu no topo; fruto, entre outros aspectos, do notável trabalho do seu presidente Fernando Tavares, cujo nome honra o pavilhão do clube, e constitui o exemplo de um dos maiores dirigentes desportivos do andebol português.

Neste momento difícil , onde a extinção é uma forte possibilidade, não posso esquecer que devo os primeiros passos na vida desportiva a todos aqueles que fizeram do Pavilhão da Ajuda uma "catedral" do andebol nacional. O Boa Hora foi sem dúvida uma figura maior naqueles tempos.
...
E de outros tempos é também a informação da Administração Pública Desportiva na internet.

3 comentários:

J. Manageiro da Costa disse...

"Sites Berdadeiramente Tecnológicos"? Para qu~e e para Quem?


Na era do afamadíssimo plano tecnológico, da mediatização extreme da vida política e dos responsáveis políticos, na época do e-government e da transparência e participação democrática da cidadania, tudo bandeiras desfraldadas por esta "gesta modernista" que nos governa, que faz o nosso IDP e o seu ilustre e sapientíssimo Presidente?

Manda às urtigas esses pregões, faz o que quer, como quer e quando quer, aquece e arrefece e volta ou revolta ao seu lugar, e borrifa-se para a "colectividade desportiva" em nome da qual governa ou desgoverna o nosso desporto.

Quem quizer saber alguma coisa que vá ler o Diário da República on-line, os Jornais desportivos nas duas últimas páginas e não chateie a Excelência.

Porque isso de querer saber alguma coisa da política desportiva, dos seus fundamentos, objectivos e concretizações é próprio de gente ignara e inculta.

Então não se está mesmo a ver, por "common sense q.b.p." que a Excelência e o seu insigne tutelador só podem estar a fazer o "bem comum" e a agir em nome da "vontade e do interesse colectivos".

Haja paxorra...!!!

Guilherme Almeida disse...

Este post fez-me abrir o meu livro de recordações. Durante 23 anos vesti a camisola do Caramão, percorrendo todas as divisões seniores, desde os regionais até à 1ª Divisão Nacional. Era o tempo do amor à camisola, mas que conseguia encher o Pavilhão da Ajuda inumeras vezes. Desse tempo enalteço o enormíssimo trabalho de Fernando Tavares que igualmente passou pelo Caramão durante alguns anos como treinador e dirigente. A ele se devia o trabalho de junto a Federações e clubes estrangeiros, conseguir uma digressão em final de época como prémio ao esforço e dedicação dos atletas. Assim consegui conhecer alguns países europeus e defrontar equipes de andebol mais evoluido na altura. O clube unicamente acarretava com a despesa de deslocação e para a qual o Fernando Tavares sempre conseguia alguns subsídios para ajudar, e em caso de necessidade os próprios atletas do seu bolso também contribuiam. Aos clubes onde nos deslocávamos competia a despesa de alojamemto e alimentação. Algumas dessas equipes em retribuição deslocaram-se dentro dos mesmos parametros ao nosso país.
Quando dirigentes deste calibre se saturam, sentem falta de apoio e não conseguem meios para conseguir as verbas que mesmo no andebol os clubes pagam aos seus atletas, em deslocações, policiamento, inscrições, arbitragem. aluguer de pavilhões, etc, os clubes de bairro e sem sustentabilidade têm o seu fim naturalmente.

João Almeida disse...

Dirigentes como o Fernando Tavares tendem a ser cada vez mais memórias de outros tempos. Homens de outras épocas.

O que me preocupa não é apenas a falta de apoios para o imenso trabalho voluntário que desenvolvem em prol do seu clube e do desporto português, mas o cansaço enorme e a carência de estimulos em continuarem, bem como ausência de quem aproveite o seu legado. Regularmente dou conta desta realidade no meu trabalho.

Ainda hoje falava com um amigo sobre a incapacidade das organizações em reterem o conhecimento e a experiência que estas pessoas adquiriram.
O valor deste património é inestimável. Com a sua saída não é apenas mais um dirigente ou um funcionário que se vai embora... Como se vê, neste e em tantos outros casos, é o definhar de um clube histórico, tornando o andebol português mais pobre.

E como disse aquele meu amigo, não se pode falar de certas coisas apenas pelo que se lê nos livros. O caso do Boa Hora não vem nos livros (nos jornais só aparece para anunciarem o seu fim), vem na labuta diária contra os inúmeros constrangimentos ao desenvolvimento do desporto em Portugal.

Ficam as memórias. Essas não se apagam.
Caramão, Passos Manuel, Boa Hora, Encarnação e Caselas alimentam as prebendas dos que, do alto do seu púlpito, vão assistindo impávidos a tudo isto, esquecendo aqueles a quem muito devem.