quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A sustentabilidade da permanência dos "efeitos permanentes"

A tão propalada reforma da rede nacional de Centros de Alto Rendimento, anunciada por este executivo em diversos actos públicos, e alvo de uma medida de financiamento especifica para o efeito, tem finalmente publicada uma data prevista para a sua conclusão, esclarecendo, na 2.ª série do jornal oficial, as dúvidas que se vinham levantando entre vários responsáveis desportivos e demais cidadãos interessados por estas matérias.
Assim, pelo n.º 2 do Despacho n.º 1742/2008, de 03 de Janeiro, ficamos a saber que a implementação das infra-estruturas desportivas prevê-se concluída em Outubro de 2009.

Aplaude-se o compromisso com uma calendarização de tão importante medida (em termos económicos, ou melhor, em termos financeiros) para o desenvolvimento desportivo deste país, uma vez que nas palavras de Laurentino Dias: "Quando conseguirmos ter um CAR para cada modalidade, o desporto português não voltará a ser igual, pois ficará dotado de muito melhores condições, com a vantagem de terem efeitos permanentes", seja lá quais forem esses efeitos e essa vantagem, porque sobre a permanência não restam muitas dúvidas.

Curiosamente, no mapa de Centros de Alto Rendimento disponibilizado no sitio da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, apenas o Centro de Alto Rendimento de Sangalhos está adjudicado. Todos os outros, a construir ou a remodelar, encontram-se em fase de projecto.
De acordo com a informação ali prestada crê-se ser apenas um problema de actualização dos dados, uma vez que as coisas em Montemor-o-Velho até já estão mais avançadas. Se assim for será um problema de mais fácil resolução, o qual, a fazer fé na recente estratégia de maior divulgação de informação daquela fonte, contribuirá para suprir as lacunas por certo já identificadas pelos responsáveis na gestão da informação da página de internet.

8 comentários:

José Pinto Correia disse...

Da Organização e Gestão dos Centros de Alto Rendimento

Dando de barato que se concretizarão em prazos aceitáveis os Centros previstos, interessa desde já começar a conceber as respectivas organização e gestão que conduzam aqueles Centros a níveis adequados de eficácia e eficiência desportivas.
Assim importaria desde logo definir as adequadas estruturas de recursos humanos de que os Centros serão dotados, as quais devem ser preenchidas com treinadores de elevado e indiscutível nível e outros técnicos de apoio devidamente habilitados e credenciados para a progressão contínua dos respectivos atletas. Tal arquitectura organizacional não pode ser deixada ao improviso típico dado que representa uma "matéria" que é fundamental à obtenção dos sucessos dos atletas e do desporto respectivo.
Depois, também é absolutamente indispensável pensar sobre a gestão e a respectiva estrutura destes Centros. Porque também neste particular devem preencher-se as estrututras organizacionais de gestão destes Centros com os profissionais de gestão que apresentem indiscutíveis competências em vários domínios da gestão relevantes - desde os de estraégia e liderança aos financeiros e de gestão de recursos humanos, nomeadamente.
Seria muito útil, se se quer vir a apresentar estes Centros como importantes âncoras de um maior e mais forte desenvolvimento do desporto competitivo, estudar o que no Reino Unido está a ser concretizado na mesma área de intervenção para os Jogos de Londres de 2012. Aí estão a ser devida e planeadamente implementados diversos programas de formação de treinadores de elevado nível e de outros técnicos de apoio às diferentes modalidades em que se antevê a possibilidade de virem a ser alcançados resultados e sucessos internacionais. E estes programas de preparação de alto nível dos recursos humanos envolvidos na desenvolvimento das modalidades e dos atletas são concretizados pelas próprias agências para-governamentais (caso do UKSport), em estreita ligação com as federações desportivas das diferentes modalidades.

Pedro Carvalho disse...

Compreendo o Governo em querer modernizar as instalações desportivas para o Alto Rendimento. É necessário marcar diferenças em relação ao passado e apresentar alternativas como apresenta, e bem, o José Pinto Correia.

Contudo apresento mais duas ideias:
Estes espaços devem ser instalações flexíveis, versáteis e multifuncionais permitindo múltiplas actividades. ISto é não so estarem ligadas ao Alto Rendimento.

Promover um modelo de desenvolvimento desportivo aberto e sustentável trabalhando em articulação com várias estruturas (Autarquias, Áreas Metropolitanas,Federações, Associações etc)

Um bom exemplo vem do CARD de Barcelona em termos de gestão, financiamento e recursos humanos. Está ali mesmo ao lado.

João Almeida disse...

Caro José Pinto Correia

Um agradecimento pelo seu contributo e três notas:


1. O modelo de gestão e organização dos centros de treino é um aspecto essencial a ser planeado sempre antes da edificação da infra-estrtura, sob pena dos espaços não serem funcionais e de comportarem resultados desportivos e económicos pouco significativos.

2. Foram feitos estudos de avaliação do impacto económico e desportivo destes centros? Qual o impacto dos tais "efeitos permanentes"? O impacto será no desenvolvimento desportivo deste país ou apenas no bolso do contribuinte? Qual o value for money destes investimentos?
E já agora. Se foram feitos tais estudos. não é um principio elementar de boa gestão pública prestar essa informação para a consulta e eventual contribuição da sociedade desportiva? Relembre-se a fatia importante do Orçamento de Estado para o Desporto que lhe está destinado. Relembre-se que a base do nosso modelo desportivo é muito ténue. Só pode haver uma pirâmide consistente se houver investimento na base. A pirâmide continua invertida.

3. Qualquer semelhança com o Reino Unido é pura coincidência. Basta dar uma vista de olhos ao manancial de informação da UK Sport. Basta ver a produção do National Audit Office sobre financiamento desportivo. Basta dar uma vista de olhos nos seus indicadores desportivos. Basta dar uma vista de olhos nos documentos de orientação estratégica de política desportiva definidos por Blair.

João Almeida disse...

Caro Pedro Carvalho

A questão, para mim, coloca-se no ponto de planeamento e estudo de políticas desportivas.
Houve consulta a todas as instituições públicas e privadas que refere? Houve uma adaptação à nossa realidade das boas práticas de outros países (Barcelona, ou outra cidade qualquer)?
Divulgou-se informação ampla, com os estudos necessários de suporte à tomada de decisão política nesta matéria? Houve uma apresentação das orientações estratégicas e modelo de gestão da nossa rede de CAR?
Estamos a falar de milhões de euros. Estamos a falar de decisões que implicam com o futuro do desporto deste país a médio e longo prazo. Estamos a falar de investimentos com impacto económico importante na sustentabilidade de algumas regiões. Ou serei eu que estou a ver mal esta situação? Admito que sim

J. Manageiro da Costa disse...

Fazer os estudos e as análises que o João Almeida refere como instrumentos prévios de racionalidade é pedir "um Universo insustentável" nesta "leveza dos seres decisores do desporto em Portugal".
Porque das terras de Sua Majestade Britânica não se pode ou deve ouvir falar nos corredores da Secretaria de Estado e muito menos no praticamente (in)activo e descaracterizado IDP.
Essas são guerras de "outros impérios" entenda-se.
João Almeida peço-lhe pois que vá ver a cabalíssima (in)justificação do interese público dos Jogos da Lusofonia que o nosso intrépido Secretário de Estado acaba de publicar na IIª Série do Diário da República do passado dia 15 de Janeiro. Para quem prevê gastar do nosso dinheiro cerca de 10 milhões de euros - doados de mão beijada ao COP sonhador e sempre venerando -, convenhamos que nem era precisa tanta amabailidade de nos prestar contas "do rosário governante"...

João Almeida disse...

Caro J. Manageiro da Costa

Pois...
Por acaso já tinha lido. Recomendo uma leitura assídua da 2.ª Série onde se prestam excelentes informações ao cidadão.
E o que dizer do Rally de Portugal?

Anónimo disse...

Logo, mudar de

A sustentabilidade da permanência dos efeitos permanentes

para

A sustentabilidade da permanência dos efeitos perversoss

Anónimo disse...

Criar centros de alto rendimento sem o minimo de critério e organização para a sua utilização?
Veja-se o que acontece no Jamor, nomeadamente com a natação, existe ou existiu um centro de alto rendimento,onde os atletas trabalham e são acompanhados pelos seus técnicos e pela federação, contudo quando se pretende realizar provas desportivas onde esses atletas possam aferir da sua forma perante outros, exceptuando a federação, quer clubes quer a Associação de Lisboa tem de pagar a utilização do complexo.
Será que este complexo não foi construido para a prática da natação e das modalidades da natação?