quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Governo e os mínimos olímpicos

A Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) foi ontem recebida pela Comissão de Educação, Ciência e Cultura, da Assembleia da República.
Nuno Fernandes, o presidente da CAO veio mesmo a operar um balanço sobre a acção do Governo, de que dá conta a imprensa de hoje.
São suas as seguintes palavras. " Estão a passar os meses, o Governo está em funções há três anos e os resultados são francamente fracos".
E, mais adiante, remata: " Quisemos ainda dizer à Comissão que não se percebe - o que nos deixa frustrados -, sendo de quatro os anos de legislatura, como é que apenas a um do fim se começa a mexer nas coisas. Há um desrespeito total pelas leis. Põe-se uma Lei de Bases cá fora e sabe-se que existem seis meses para elaborar os decretos-lei que a complementam. O limite é ultrapassado e ninguém diz nada. Quando queremos ir aos Jogos Olímpicos temos de fazer a marca naquela altura e não pode haver desculpas. Gostaríamos que isso também se passasse com os políticos."
Eu nada acrescento a estas palavras. Apenas as recolho, se me é permitido, como minhas.

12 comentários:

J. Manageiro da Costa disse...

"Falta de AR no Desporto"

Começa a perceber-se cada vez melhor o que tem sido a "(des)governança do desporto nacional".

Primeiro, as pessoas de boa vontade envolveram-se num jogo de máscaras que veio a desembocar em uma "nova" Lei de Bases do Desporto e quejandos. Uma grande reviravolta para o sistema desportivo, assim se apregoou.

Seis meses depois, como habitualmente em matéria de respeitabilidade dos prazos convencionados entre nós, o "novíssimo edifício legislativo" que pretensamente inundaria de luminosidade o desporto estaria aí, prontíssimo e afanoso para uma "era de modernismo rosáceo governamental".
Só que este modelo de fazer política desportiva é confirmadamente virtual e omite mais do que aquilo que intenta.

Normas e mais normas, regras e regras para uma imensa vacuidade de acções e actividades políticas efectivas.

Sabe-se que as políticas públicas se podem fazer por acções e por omissões, e em ambos os casos são políticas públicas e correspondem às opções dos seus principais agentes.

Por isso, a CAO (Comissão dos Atletas Olímpicos),que funciona em estreita colaboração com o Comité Olímpico de Portugal (COP), instiuição esta que governa efectivamente o desporto de alta competição, pois tem lá tido ao longo de um quadriénio na sua "tesouraria" quase três milhões de contos doados pelo Estado e os contribuintes até aos Jogos de Pequim 2008, vem também agora constatar que as suas propostas (feitas algures em Março/Abril de 2007, vide site do COP) cairam também em saco roto.

E também nesta causa que é dos atletas e do desporto de alta competição em si-mesmo o Comité Olímpico, sempre tão presto a servir-se dos atletas, não disse até hoje, oficial e publicamente, nada de significativo.

Não deveria o COmité Olímpico estar também na primeira linha e emprestar, com os rcursos vultuosos de que dispõe, apoio técnico e científico-académico para a preparação efectiva das medidas de apoio requeridas pela CAO.

E não seria agora, se assim tivesse sucedido, possível à Comissão de atletas apresentar um bom trabalho preparatório na Comissão da Assembleia da República (AR)que oficialmente a recebeu?.

Talvez se assim fosse não voltassem a carpir-se novas mágoas depois de acabados os Jogos de Pequim. Porque duvido que a AR vá cuidar de estudar técnica e legislativamente os lamentos e um qualquer "dossier" como o de Março/Abril de 2007 da CAO.

Continuará, assim, a "faltar AR no Desporto" e políticas públicas efectivas para além dos "shows mediático e jurídico-básico" que envolvem o desporto português vai para três longos anos numa autêntica "espuma dos dias"...!

Anónimo disse...

Eu nada acrescento a estas palavras. Apenas as recolho, se me é permitido, como minhas

Uau! Que contenção!! Que pudor!! Que humildade!! Que modéstia!!

Se me é permitido

Lindo!!!!!

Anónimo disse...

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Quem disse? Quem disse?
Isso mesmo
Fernando Pessoa

Gustavo Pires disse...

Não se compreende a posição da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO). Se existem reclamações a fazer elas devem ser realizadas com coragem e frontalidade pelo próprio presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). Não nos parece bem que a CAO se assuma como o “braço armado” do COP. Desde logo, porque a CAO faz parte do próprio COP (Art. 32º do Estatuto do COP).
Os atletas olímpicos são um dos bens mais preciosos do desporto e do Olimpismo. Nuno Fernandes, um dirigente portador de futuro, devia preservar-se de tais proclamações que, no fundo, sem nada resolverem, acabam por dar cobertura a uma incompetência muito maior e muito mais antiga do que aquela que ele pretende denunciar.
Gustavo Pires

Carla Gil Ribeiro disse...

Pois eu acho que o Nuno não anda atento...

Nestes 3 anos fez-se muito... Assim de repente, então não se mudou o logotipo e a lei orgânica do IDP, não se fizeram todas as cerimónias públicas possiveis de louvor pela obtenção de resultados desportivos, não se investiu milhares de euros em remodelações e equipamento no complexo de piscinas do Jamor para criar um ginásio que será o exemplo do caminho nacional para a promoção da prática de actividade física na população portuguesa e que vai ao encontro das principais necessidades de preparação dos atletas de alta competição... Não se andou 5 meses a consultar as bases do desporto nacional que culminou numa clara orientação estratégica da legislatura? E isto são só os exemplos que me vêm à cabeça de repente. Com mairo atenção encontraremos todas as acções que foram determinantes para o desenvolvimento despotivo nacional!

Nuno, como és capaz de dizer que não se fez nada....

PS: Parabens. Pena é que outras entidades de maior
responsabilidade não consigam ter a mesma frontalidade. Ainda tenho na memória o post do Prof. Meirim sobre a tomada de posse da CDP...

Nuno Fernandes disse...

Boa tarde. Gostava se me permitem responder ao comentário do J. manageiro da Costa informando que o nosso dossier foi entregue ainda antes das eleições deste governo, após a sua tomada de posse (SEJD e IDP), no congresso do desporto e finalmente após a publicação da nova Lei de Bases (Março último). É portanto um documento maduro que já vem da comissão anterior e não necessitamos de doutores para nos dizer o que nos vai na alma.
Relativamente aos alegados 3 milhões deixe-me dizer-lhe que 1º não vem do estado mas do jogo; 2º esse dinheiro destina-se a suportar a viagem da comitiva e pouco mais; 3º concordo que mais se podia fazer e muito me tenho batido nas reuniões e locais próprios.
Por último e respondendo ao Doutor Gustavo Pires informo que pelos outros não posso falar e em sede própria as discuto mas as tais proclamações que fala e diz nada resultar tem conseguido alguns resultados...
Cumprimentos e obrigado pelas palavras de incentivo !!

J. Manageiro da Costa disse...

Caro Nuno Fernandes,

Agradeço o seu comentário mas sempre lhe deixaria mais algumas notas breves para aprofundarmos o nível de discussão e tentarmos ver alguns dos obstáculos que não nos permitem evoluir no desporto para outros "patamares". Assim:

1. Parece, portanto, que as reinvidicaões dos atletas olímpicos, expressas pela respectiva Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), já não são novas.

2. Todavia, continuam a cair num "poço sem fundo" de inacção e não merecem a mínima consideração pública do Comité Olímpico e do seu omnipresente Presidente. Estranha relação esta em que os atletas olímpicos, que servem maravilhosamente para as cerimónias públicas de enleio com os prestimosos dirigentes depois dia a dia, ano após ano, são deixados entregues a si próprios e à sorte dos deuses.

3. Quanto aos dinheiros que foram entregues pelo "nosso Estado" ao Comité Olímpico de Portugal (COP), sempre direi que mesmo que provindos do jogo não deixam de ser recursos nossos e é obrigatório que sejam gastos com devido reporte à sociedade dos respectivos destinos, e mais ainda dos resultados detalhados da promoção e projecção dos desporto de alta competição.

4. Todavia, em Portugal não deixa de ser "sui generis" o Estado demitir-se de governar o progresso do desporto de alta competição e entregá-lo de mão a um ente que na lei apenas representa o Comité Olímpico Internacional e o desporto olímpico.
Mas isto são contas de um rosário que daria muito pano para mangas.

5. E lembremo-nos que quando uma sociedade atribui os seus recursos escassos, qualquer que seja a sua proveniência (o que inclui o jogo), está a deixar de os usar em outras finalidades que no desporto teriam outros resultados e níveis de sucesso desportivo - trata-se do chamado "custo de oportunidade" definido pelos economistas.
6. Agora o que também é lamentável é ver-se que o Comité Olímpico nos Relatórios Anuais que tem feito das utilizações dos dinheiros públicos se limita a meros reportes de natureza burocrática e administrativa inundados de quados e mais quadros, sem haver a devida avaliação do caminho percorrido e a análise prospectiva dos progressos dos atletas e das modalidades e sem se perceber quais os objectivos e estratégias de desnvolvimento das diferentes modalidades e atletas incluídos. 7 Mais parece, assim, do conteúdo expresso desses Relatórios que tudo no percurso até aos Jogos Olímpicos é fruto dos acasos de resultados individuais de atletas e que nada está convenientemente projectado e programado.
7. E sempre são três milhões de contos para um quadriénio num país em que o Estado cada vez menos investe no desporto (vide site do Fórum Olímpico de Portugal em www.forumolimpico.org).
8. O desporto em Portugal precisa de mais, muito mais, de trabalho académico e científico e de doutores (e de economistas então como de pão parta aboca) que consigam introduzir pensamento articulado e sistematizado sobre as políticas públicas e sobre o modo como os actuais dirigentes - alguns quase perpétuos - têm conduzido esta marcha lenta e em alguns casos "quase fúnebre"...!

Anónimo disse...

Isto dá vontade de rir. Quanto à lei de bases basta puxar um bocadinho pela memória: a primeira do PSD teve três anos para ser regulamentada. A segunda, um papel indigente, nunca foi regulamentada com excepção do diploma da violência, obrigatório por força do euro2004.
A actual Lei de Bases foi aprovada e passado um ano já temos em vigor o Conselho Nacional do Desporto; as várias isenções fiscais (que o empresário Nuno Fernandes comicamente atribuiu ao parlamento que nem sequer sabia do que ele estava a falar); e o diploma das viagens. Já em discussão pública, e a um mês de entrarem em vigor, temos a regulamentação da violência; do doping; dos ginásios ou do regime das federações.
Quanto ao jogo, a única coisa que se pode dizer é que realmente foi um mau negócio: aumentaram os orçamentos das federações; finaciam-se os CARS e os relvados, paga-se a tempo e horas os ordenados de atletas melhores que o senhor Nuno. Realmente é coisa pouca. Na Madeira, ( por falar nisso, onde é que andam as propostas de regulamentação confederação e do comité de sábios?) é que se legisla bem e eficazmente.

Anónimo disse...

O mais revelador, nas intervenções do Nuno Fernandes, é quando ele é confrontado com algo que o Governo fez - por exemplo, as isenções fiscais para o desporto no Orçamento de 2008 -, sem que o ele possa disso discordar - uma vez que toda a gente está de acordo com tais medidas.

E então é muito divertido ver o Nuno Fernandes, não querendo, a nenhum preço, aplaudir o Governo - porque a cartilha pela qual lê o impede de alguma vez concordar com o Governo - afirmar que aquelas medidas "só pecam por tardias", que mais não são do que algo que "era devido" aos atletas, que tem é que "agradecer ao Parlamento" (e não ao Governo, que preparou as correspondentes propostas de lei), etc...etc...

Ou seja: o Nuno Fernandes, mais do que representar os interesses dos atletas olímpicos, pretende sobretudo usar as suas funções para fins políticos. E então entretém-se a fazer propaganga contra o Governo...

Anónimo disse...

O anónimo zelador do reino desportivo tem de tratar da vidinha. Ciclicamente a mesquinhez toma conta dele e a ansiedade trai-o. Resiste durante algum tempo mas a maldade e a intriga está-lhe no código genético. Indigna-se com facilidade mas esquece-se com muita rapidez do que ainda há bem pouco tempo dizia (e ainda diz…) daqueles com quem agora emparceira. O veneno destila-se e vale tudo. Mas enfim. Não vale a pena psicanalizar o dito. Força Nuno !

Fernando Moreira disse...

Destes comentários alguns com razão outros insultuosos, achei estranho o comentário de um dos intervenientes que ao contrário do que nos tem habituado usou da subtileza de através de uns acusar outros sem nunca se referir aos Mouras e aos Motas.

Como disse aqui alguém, há posturas que se regem pelas cartilhas que comungam. Nunca vi esses mesmos ousarem levantar a voz quando os seus lideres espirituais acusam injustamente os treinadores portugueses de incompetentes e maltratam os atletas quando deixamos de ter medalhas em JO como foi o caso de Couto dos Santos em Barcelona 92. Não os vi levantar a voz quando se insultam os atletas de, como foi o caso de Manuela Ferreira Leite que chamou de mercenária a uma das nossas melhores atletas de sempre por não participar nos Campeonatos Nacionais Universitários, onde pululam os boys das lides políticas. Que é sabido que estes Camp. Universitários coincidiam com o principal meeting de Atletismo do País organizado pela Federação Portuguesa de Atletismo. Que os Campeonatos Universitários particularmente os de Atletismo são uma vergonha quer em termos desportivos quer em termos de organização e que servem fundamentalmente para sustentar os boys das lides políticas.

Por ultimo gostaria aqui de dizer que todos estes problemas vão continuar quer porque como já referi o desporto foi apropriado pelos interesses políticos e também porque a nossa classe política é ignorante e incompetente na matéria do Desporto. Que se apoiam em especialistas de dar "palpites" que no desporto a maior parte destes fazedores de opinião nunca vingaram nem como atletas nem como treinadores e foram procurar o eldorado em áreas do desporto que ainda estavam "virgens" neste país pervertendo-as e comprometendo o futuro dessas mesmas áreas.

Como linhas finais gostaria de dizer que o Verdadeiro Desporto em POrtugal nasceu com a revolução de 1974 sendo que os rostos dos seus progenitores são encabeçados pelos nomes de Melo de Carvalho e Moniz Pereira.

Anónimo disse...

É este o nosso mundo:

Chorar sobre o leite derramado.