domingo, 4 de novembro de 2007

As eleições para a FPF

Numa modalidade desportiva que tenha as características de um produto de forte componente comercial, ou seja, para ser mais claro, onde há negócio, as eleições para a direcção de um organismo de topo não se confinam, apenas, ao interesse daqueles que têm capacidade eleitoral. Mobiliza e interessa aqueles que têm, legítima ou ilegitimamente não interessa ao caso, interesses comerciais. Quem os representa procura preparar, definir ou influenciar o resultado final. É assim em qualquer parte do mundo. Reconhecê-lo não significa legitimá-lo. Significa apenas que o mundo é o que é, e, nem sempre, o que gostaríamos que fosse. O desporto e o espectáculo desportivo que lhe está associado não seriam o que são à escala global se não tivessem associado o negócio que os gerou e, de algum modo, os configurou. E como negócio, mal ou bem, são geridos. O assunto está suficientemente discutido e abundantemente documentado. No COI, na FIFA ,na AMA, na UEFA ou em qualquer federação desportiva internacional. Os princípios, os valores, as causas e a ideia de um desporto limpo da materialidade -económica, politica, social - que lhe está associada é apenas retórica que qualquer estudo sério e conhecedor rebaterá com facilidade. No meio deste desporto, que é realidade do mundo globalizado, por que razão as eleições para a Federação Portuguesa de Futebol haviam de ser diferentes?

5 comentários:

reifazdeconta disse...

Escandalos neste pais há-os por todo o lado, por exemplo este bem grave que está no site www.reifazdeconta.com onde se descobre a careca a Duarte Pio de Bragança....uma vergonha!

João Almeida disse...

Um fenómeno social, é sempre um fenómeno social total, isto é, integra dimensões politicas, económicas e culturais que o comportam. É evidente que o futebol não foge à regra.
O que não deixa de ser curioso é que nos momentos decisivos na vida do futebol português, as posições antagónicas, divergências antigas e "posições de principio" se atenuam para encontrar uma solução de consenso.
Uma outra regra diz-nos também que as soluções de consenso e opções únicas não consolidam uma liderança. Nomeadamente quando se trata de um processo eleitoral. Mas a história do futebol português está pejada de eleições com lista única. É um facto.

Anónimo disse...

"Os princípios, os valores, as causas e a ideia de um desporto limpo da materialidade - económica, politica, social - que lhe está associada é apenas retórica que qualquer estudo sério e conhecedor rebaterá com facilidade".

Gostaria de começar por fazer algumas questões:
Alguma vez o desporto esteve limpo de materialidade?
A materialidade a que se refere não será a mesma em todo lado com a diferença de que, no COI, na AMA, e organizações similares, ela já não se pode confinar apenas às ideias de quem criou o desporto?
Isto não será o resultado inevitável de qualquer fenómeno social que atinge a escala do mundo?

e finalmente

Dizer isto tudo invalida que não haja causas, valores, princípios?

Concordo com a ideia da retórica mas não entendo porque lhe parece dar uma conotação tão negativa. Nós todos crescemos e vivemos com ideias retóricas, que por vezes não entendemos mas que seguimos porque contêm ideias que defendem os interesses de todos.

Parece-me que o problema está mais em quem quer controlar a retórica e não tanto no seu conteúdo. Daí que, no caso da FPF, me preocupa mais saber quem para lá vai e quais os interesses o protegem.
A retórica vai continuar a mesma independentemente quem lá estiver.

andré

josé manuel constantino disse...

Ao André
Não há qualquer contradição entre o que escrevi e a opinião que formula.Procurei apenas constatar uma realidade evitando qualquer juízo de valor.Concordo igualmente que o desporto transportou sempre uma intencionalidade mas nem sempre reconhecida na materialidade subjacente..Os discursos sobre o desporto nem sempre coincidem com as realidades sobre os quais incidem.

Gustavo Pires disse...

Muito bem JMC
Estou de acordo.
Gustavo Pires