sábado, 24 de novembro de 2007

Quer ver a Taça da Europa de Atletismo?

Não estranho o fulgor e o sucesso que atingiu o futsal na actualidade, bem expressos no desempenho da selecção nacional masculina no Campeonato da Europa, nos milhares de pessoas que acorrem ao pavilhão multiusos de Gondomar para assistir a este evento e nas elevadas audiências televisivas da SIC, que optou por transmitir os jogos da nossa selecção.
Estranho sim, que o Ministro dos Assuntos Parlamentares não tenha incluído em 2006 esta participação desportiva nacional na lista dos acontecimentos qualificados de interesse generalizado do público, como o João Almeida bem sublinhou em texto anterior.
Se situações deste tipo estão ultrapassadas para 2008 devido à inclusão da participação das selecções nacionais "A" nas fases finais dos Campeonatos do Mundo e da Europa das diversas modalidades desportivas, continuam outras a ser marginalizadas por despacho e que revelam inegável interesse público generalizado. Referimo-nos designadamente à Taça da Europa de Atletismo, a prova colectiva mais importante do atletismo nacional, que se disputará em Leiria entre 21 e 22 de Junho próximo.
Facto estranho este se ainda atendermos ao projecto de contrato de concessão do serviço público de televisão que valoriza a programação respeitante ao desporto amador e ao desporto escolar (cláusula 9.ª).
Assim, se quisermos ver em sinal aberto os nossos melhores atletas, mesmo antes de rumarem aos Jogos Olímpicos, bem como outras vedetas internacionais, resta-nos esperar que a Federação Portuguesa de Atletismo invista mais de 30.000 euros como o fez para a transmissão de 2005. Belo serviço público de televisão…

3 comentários:

Anónimo disse...

Ah…
Que saudades tenho dos tempos em que via na RTP a Taça da Europa, os campeonatos da Europa e do Mundo, e os meetings da liga dourada…
E com os comentários do Jorge e o Luis Lopes…
Saudades…

andré

J. Manageiro da Costa disse...

Espanta que ainda se acredite em Portugal nas absolutas virtuosidades do denominado serviço público. Como se ele fosse o magnífico intérprete do também inefando interesse geral. E este permitisse acautelar todos os interesses, mesmo os menos mediatizados da sociedade actual. Ora, os intérpretes do interesse e dos interesses gerais ou do serviço público são ou os políticos governantes (da maioria no poder em cada momento) ou os donos dos meios de comunicação ou os seus respectivos agentes, que muitas vezes acabam nos directores de informação ou de redacção. Pensar que é tudo o mais é "benevolente inocência". Mas existe sempre a pressão dos interessados, no caso descrito do Movimento Desportivo e até do Comité Olímpico que habitualmente se calam quando deveriam fazer-se ouvir insistentemente.
É bom de ver que a cláusula 9ª se refere genericamente ao desporto no âmbito do denominado "canal 2". Mas nas especificações concretas que constam dessa mesma cláusula o desporto desaparece (não se sabe bem para onde). Quer isto dizer que as estruturas desportivas governamentais e associativas estiveram obviamente, uma vez mais, bem distraídas do seu "métier". Depois como pode o desporto sobreviver para além do imenso futebol...!

João Almeida disse...

Cara Maria José Carvalho

Relendo os diversos despachos sobre os eventos desportivos de relevante interesse público, que anualmente foram publicados ao abrigo da Lei da Televisão deparamos com um predominio cada vez mais acentuado do futebol.
Se não se estranha esta tendência, o que dizer a eventos desportivos cujo interesse público parece ter deixado de fazer sentido? O que dizer quando se tratam de modalidades com um profundo enraizamento na nossa cultura desportiva, como o atletismo e o hoquei em patins?
A forma como os poderes públicos e alguma imprensa desportiva tratam estas duas modalidades são um estimulo à reformulação do património desportivo do nosso país. Será que estes desportos não estão "in"?