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domingo, 9 de junho de 2013

O poder central em Mirandela

Texto publicado no Público de 9 de Junho de 2013


1. Viajar quase 900 quilómetros para participar em seminário no âmbito da II Semana da Juventude e do Desporto, organizado pela Câmara Municipal de Mirandela, não é fácil.
Abandona-se o conforto da capital, da centralidade, do metro, da comunicação fácil, para olhar uma realidade afastada, interior, de passos e agir diferentes. Lisboa é o centro da vida; Mirandela, o afastamento rodeado de pedras rudes, uma terra mais de azeite e menos de alheiras, ao contrário da ideia que se carrega à partida da viagem.
2. Perante uma plateia de dirigentes associativos locais e alguns estudantes de Bragança, tentei transmitir o que o Direito “dá” ao dirigente desportivo voluntário e o que dele “exige”. Pouco ou nada e quase tudo, respectivamente.
Mas, para além dessas constatações, comuns a este infeliz País, seja o nordeste, inesperadamente, assumiu-se como centralidade e Lisboa como inevitável periferia.
3. A Federação Portuguesa de Pangration Athlima tem sede em Mirandela, foi fundada em Abril de 2000 e congrega cerca de duzentos praticantes.
Portugal participou, na Grécia, no Campeonato do Mundo de Pangration em 2003, obtendo 3 medalhas de bronze por José Varela (C.A.M.P.A. de Alijó), Ivete Alves (C.A.M.P.A. de Alijó) e Pedro Mores (A.M.A.O. de Mirandela). Colectivamente, a equipa portuguesa foi 8ª classificada.
A representação nacional esteve também presente no Campeonato da Europa, em 2004, igualmente na Grécia, conquistando, em agon, uma medalha de ouro por João Varela, de Alijó; medalha de prata por Sandra Dias e uma de bronze por Cristina Novo, ambas do Mirandela. Em paleismata mais uma prata por intermédio da dupla: Sandra Dias e Cristina Novo. Portugal foi 5º.
4. Pangration? Em Mirandela? Alijó?
“O combate de pankration define-se como um combate entre 2 atletas cujo objectivo é a vitória de um deles sobre o seu adversário. Aos atletas é permitido qualquer tipo de ataque com os membros superiores, inferiores e com a cabeça. As técnicas devem ser as permitidas pelas regras e assim evitar traumatismos. As técnicas podem ser utilizadas com os atletas em pé ou no chão. É permitido qualquer tipo de prisão (agarre) de corpo ou roupa com os pés ou mãos cumprindo os regulamentos. É permitido qualquer tipo de projecção ou prisão e pressão muscular sempre que não leve a um traumatismo sério e duradouro”. Trata-se uma antiga arte marcial e antigo desporto de combate sem armas, que segundo a mitologia grega teve início com os heróis Hércules e Teseu. Uma mistura de boxe e luta olímpica, tendo surgido pela primeira vez na 33ª Olimpíada (648 AC).
5. Num tempo em que para o Estado o dinheiro mede as modalidades desportivas, parecendo privilegiar a diminuição de federações desportivas - contrariamente ao que se julgava ser uma finalidade das suas incumbências -, em Mirandela existem exemplos de pluralidade desportiva, quer o Estado queira ou não queira.

Estou certo, que outras centralidades existirão por este País fora que, com base no apoio público local e no voluntariado, continuam a pugnar pela afirmação do desporto como realidade social que contribui para o desenvolvimento da personalidade humana.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal



Texto publicado no Público de 3 de Fevereiro de 2013


1. Não sou adepto sportinguista e, em bom rigor, embora rodeado de leoninos (em casa e no trabalho, embora com esperança no pequeno Tomás, de sete anos), a minha equipa é o Direito. Fraca equipa, eu sei, neste infeliz país. Jogo nela, como atleta polivalente (avançado, médio, mesmo guarda-redes) e, por vezes, fico mesmo no banco. É nessa diminuída qualidade – de praticante que conhece os seus limites, inserido numa equipa bem fraca – que ouso exprimir a minha opinião sobre um ou outro aspecto dos que rodeiam a próxima (?) Assembleia Geral do SCP. Não valerá muito, eu sei, mas é a minha opinião.

2. Ponto único: Discutir e votar a revogação colectiva com justa causa do mandato dos membros do Conselho Directivo, É este o objecto da reunião magna aprazada para o dia 9. É, ninguém duvidará, matéria muito séria e grave na vida de qualquer instituição. Está em causa pôr termo às funções dos do órgão executivo do SCP.
Ora, para além de algumas imprecisões nos próprios estatutos do clube, ultrapassadas, nesse aspeto, pelo parecer provindo do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD), resulta seguro que os membros do Conselho Diretivo apenas podem ver “revogado” o seu mandato ocorrendo justa causa.

3. Tudo se joga, pois, neste conceito. O que é justa causa? Quem aprecia e determina a justa causa? Existe algum procedimento a cumprir para alcançar tal sentido?
Entendemos, desde logo que, pelo menos na situação que se apresenta, a justa causa implica necessariamente um agir – ou um não agir – culposo por parte dos dirigentes em questão. Não bastará indicar – muito menos indiciar – um conjunto de atos que se entendem como contrários aos interesses do clube. Haverá, ainda, que os relacionar com condutas culposas dos seus autores.
Por outro lado, toda esta “operação” insere-se, como é bom de ver, em ambiente sancionatório. “Revogar o mandato”, como sanção por esse atuar culposo.

4. Aqui chegados, não cremos que a assembleia geral do SCP possa, sem mais, atingir validamente esse juízo de «justa causa».
O caminho seguido até ao momento não se nos afigura como o mais correcto, lidos os estatutos do clube.
Vejamos se a nossa alternativa faz sentido.

5. Haverá que ter em conta as competências do CFD, elencadas no artigo 58º dos estatutos do SCP.
Nos termos da alínea h do seu nº 1, tem esse órgão o primado do poder disciplinar, mesmo relativamente aos membros dos órgãos sociais. E, em conforto do que se propugna, o nº 2 adita que quando estiver em causa irregularidade imputada a membro do Conselho Diretivo, e sem prejuízo do competente processo disciplinar, o CSD participará o facto ao presidente da Assembleia Geral.

6. Resumindo, atenta a necessidade de garantir a defesa daqueles relativamente aos quais se imputa uma justa causa visando a sua destituição, julgo que o procedimento que deveria ter sido seguido implicava, necessariamente, e perante as queixas apresentadas, a instauração de um processo próprio no CFD, com todas garantias de defesa daqueles a quem se assacam condutas e omissões culposas, para, a final, nessa sede, se alcançar se havia ou não justa causa. Só depois, em caso afirmativo, se passaria à reunião magna.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A liderança no Benfica

Luis Filipe Vieira afirmou que, no futuro, o Benfica precisa de comprar menos, formar mais e vender bem. E baixar a massa salarial dos seus ativos, mesmo que isso signifique perda de competitividade. As declarações foram recebidas como uma manifestação de sensatez e realismo, tão reconhecidamente ausentes do mundo do futebol. Penso precisamente o contrário.
Num contexto de elevado grau de competitividade, como é aquele que domina as relações entre clubes de futebol um líder na sua exposição pública deve focar-se nos resultados desportivos. Admitir perda de competitividade é, num clube como o Benfica, sacrificar a sua principal memória e identidade. E num clube que tem paulatinamente perdido essa competitividade, pretender no futuro perder ainda mais é um suicídio. Por outro lado está por demonstrar que, nos clubes de futebol, a despesa seja proporcional aos ganhos de competitividade. Se assim fosse, o Benfica pelo que gasta com o futebol não tinha perdido competitividade para quem gasta menos que ele.
E, no entanto, Luís Filipe Viera, em certo sentido, não deixa de ter alguma razão. Porque a sustentabilidade financeira requer medidas de controlo da despesa. E porque o quadro salarial deste negócio está sobredimensionado. Só que é um negócio que vive de expectativas- precisamente a competitividade –e ao anulá-las estraga o próprio negócio em que opera. E ao acreditar que gastar menos é perder competitividade confirma que não conhece bem o negócio.
O líder de um clube como o Benfica nunca pode baixar as expectativas de competitividade. Ao fazê-lo a mensagem que está a dirigir para o interior é a de que, no futuro, maiores quebras de competitividade até são aceitáveis face à redução da qualidade dos ativos. Uma qualidade que ele mede pelos salários que pratica.
Em qualquer organização, e o futebol não é exceção, a estratégia de gestão financeira não pode ser objeto para grandes intervenções públicas. É um assunto reservado da administração. É impensável ouvir Jorge Nuno Pinto da Costa a fazer considerações públicas daquele tipo. Não porque eventualmente não pense no assunto. Mas porque tem uma sabedoria de gestão de expetativas e porque conhece o negócio do futebol como poucos. E é esse conhecimento que dá ao clube que lidera um indisfarçável ganho comparativo.
O futebol não mexe apenas com ativos. Ou melhor, os ativos do futebol não são apenas os jogadores. São também as massas associativas. E o que consomem não são apenas resultados desportivos. Mas é neles e por eles que se constroem as suas motivações e expectativas. Liderar um clube como o Benfica obriga a estar atento a estes dois tipos de ativos. E perceber que liderar não obedece a nenhum cientifismo ou racionalismo gestionário. Liderar é mediar as expetativas com a realidade.
Contrariamente ao que por aí andam a dizer, a escrever e a fazer cursos para enganar papalvos a liderança é uma coisa completamente diferente da gestão. Ambas são necessárias mas não podem ser misturadas. A liderança lida com a motivação e com contextos de natureza interpessoal. A gestão lida com o planeamento, a organização e a administração. Steve Jobs foi um líder excecional contrariando quase sempre os seus gestores. Isso não o impediu de fazer muitas asneiras. Mas de vencer num meio altamente competitivo. Porque dominava a natureza do negócio. Um negócio que se não resumia a variáveis financeiras. O mesmo se passa com o futebol. Se o negócio futebol s fosse apenas explicado por variáveis financeiras já tinha terminado. É o que é, algo irracionalmente financeiro, precisamente porque desafia toda a lógica financeira.
Se Luis Filipe Vieira percebesse essa diferença talvez tivesse evitado o desconforto e a humilhação da última assembleia geral do clube. Porque aquilo pelo que o julgaram não foi pelas constas que apresentou.Foi pelos resultados desportivos que não obteve.



domingo, 2 de setembro de 2012

Avaliação da prestação de Portugal nos jogos olímpicos de Londres 2012


Avaliação de qualquer operação, tarefa ou atividade humana só é possível ser realizada, honestamente, confrontando os objetivos previamente estabelecidos, ou seja os resultados previstos, com os resultados realmente obtidos. É assim na gestão, e também o é no desporto.

Como nota prévia gostaríamos de valorizar publicamente a dedicação, o esforço e a perseverança evidenciadas pelos atletas portugueses para dignificar o seu desempenho, a sua modalidade e nome do seu país, Portugal.
Os objetivos a alcançar por Portugal nos jogos olímpicos de Londres 2012 estão fixados no contrato programa de desenvolvimento desportivo pelo qual o Instituto do Desporto de Portugal, I.P. (IDP, I.P.) concedeu ao Comité Olímpico de Portugal (COP) o financiamento público para a execução do programa de preparação dos atletas com vista à participação nos jogos olímpicos e, se possível, ao alcance dos objetivos nele expressos.

É nosso propósito realizar uma avaliação do grau de concretização desses objetivos fixados para Portugal nos jogos olímpicos de Londres 2012.
A cláusula 2.ª designada “Objetivos” inserta no contrato programa de desenvolvimento desportivo n.º 287/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 193 — 6 de Outubro de 2009, relativo à execução do Programa de Preparação Olímpica Londres 2012, que o COP apresentou no IDP, I. P., e se propõe a levar a efeito até ao termo dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, refere os seguintes objetivos:
(1) Proporcionar aos praticantes desportivos abrangidos pelo Projeto Olímpico Londres 2012, as condições de preparação necessárias para que possam atingir nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 os seguintes objetivos desportivos;
a) Melhoria qualitativa global dos resultados desportivos nos Jogos Olímpicos de Londres 2012;
b) Aumento global do número de representantes nacionais, com especial incidência no género feminino;
c) Renovação e redução do nível etário dos atletas participantes.
Antes de analisar o grau de concretização dos objetivos designados desportivos, é evidenciado que o Programa de Preparação Olímpica Londres 2012, que o COP apresentou no IDP, I. P. tem como finalidade proporcionar aos praticantes desportivos abrangidos pelo Projeto Olímpico Londres 2012, as condições de preparação necessárias para que possam atingir nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 os objetivos desportivos. No que respeita às condições de preparação, o que se impõe é questionar os atletas (e não só) sobre se as condições de preparação que lhe foram proporcionadas foram as necessárias e adequadas à concretização dos seus objetivos. Estamos convictos que esse trabalho certamente será realizado e servirá para introduzir as melhorias, do ponto de vista dos atletas, nos sistemas de preparação desportiva.

Vamos aos objetivos: a) O objetivo referido na alínea a) corresponde a uma melhoria qualitativa global dos resultados desportivos nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Face à formulação do objetivo (falta de especificidade, não está fixado o valor da melhoria, nem o ponto a partir do qual se deve avaliar essa melhoria, dificulta uma mensuração séria e inequívoca) propomos apreciar o grau de concretização deste objetivo de dois modos:
(A) Pelo número de medalhas e diplomas relativamente a Pequim 2008, e;
(B) Pelo número de medalhas e diplomas relativamente aos últimos 3 jogos olímpicos.

(A)    Pelo número de medalhas e diplomas relativamente a Pequim 2008. Em Londres 2012 Portugal obteve menos uma medalha e mais 2 diplomas do que em Pequim 2008. Em termos de pontos obteve a mesma pontuação: 28 pontos. Do ponto de vista global obteve uma prestação similar à de Pequim 2008 (28 pontos), embora com menos uma medalha (de ouro) e mais 2 diplomas. Não é evidente uma melhoria qualitativa dos resultados. Considerando este critério o objetivo fixado para Portugal não foi atingido.
(B) Pelo número de medalhas e diplomas relativamente aos últimos 3 jogos olímpicos. A média do número de medalhas, diplomas e pontos obtidos em Sidney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008, foi de 2,3 medalhas, 7,7 diplomas e 34 pontos. Em Londres 2012 foi obtida menos uma medalha e mais dois diplomas. Em termos de número de pontos Portugal obteve menos pontuação em Londres (28 pontos) do que na média dos últimos 3 jogos olímpicos (34 pontos). Assim, em Londres 2012 do ponto de vista global Portugal obteve uma prestação inferior à dos últimos 3 jogos olímpicos. Considerando este critério o objetivo fixado para Portugal não foi atingido.
b) O objetivo referido na alínea b) relativo ao aumento global do número de representantes nacionais, com especial incidência no género feminino, corresponde a um duplo objetivo: aumento do número de representantes nacionais e aumento das mulheres. São pois dois objetivos. O número de atletas participantes nos jogos olímpicos de Pequim 2008 foi de 77, igual ao número dos participantes em Londres 2012. Por isso este objetivo não foi atingido. As mulheres que participaram nos jogos olímpicos de Pequim de 2008 foram 26, o que correspondeu a 34%. Em Londres 2012 participaram 33 mulheres, o que correspondeu a 43%. Este objetivo foi atingido.
c) O objetivo referido na alínea c) que pretendia uma redução do nível etário dos atletas participantes nos jogos olímpicos de Londres 2012 não foi atingido. A média de idades dos 77 atletas participantes nos jogos olímpicos de Pequim 2008 foi de 27,5 anos (ano de nascimento até final do ano 2008), enquanto a média de idades dos 77 atletas participantes nos jogos olímpicos de Londres de 2012 foi de 28,2 anos (ano de nascimento até final do ano 2012).

Em síntese, podemos considerar que o objetivo da melhoria qualitativa global dos resultados desportivos nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 não foi atingido, ao não ter sido ultrapassado o número de pontos obtidos globalmente (até 8.º lugar) relativamente a olimpíadas anteriores. O segundo objetivo relativo ao número de representantes nacionais e das mulheres foi parcialmente atingido. O terceiro objetivo relativo à redução do nível etário dos atletas não foi atingido. Concluindo, a maioria dos objetivos não foi atingida. Independente desta questão formal, mas relevante, importa (1) valorizar publicamente a dedicação, o esforço e a perseverança evidenciadas pelos atletas portugueses para dignificar o seu desempenho, a sua modalidade e nome do seu país, Portugal; (2) discutir e aperfeiçoar a base dos sistemas/políticas de deteção e preparação dos praticantes desportivos portugueses para a obtenção dos mais elevados resultados desportivos no plano internacional; e (3) um desígnio nacional, uma liderança forte e um objetivo comum capaz de mobilizar a motivação e a superação de todos. Lembram-se do que faltou à nossa comitiva em Pequim 2008? A história repetiu-se em Londres 2012?

Alfredo Silva 

Publicado no Diário de Notícias de 20-08-2012

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O descalabro


1.  “O Conselho de Administração do CAB-Madeira, SAD, informa que a sua Equipa Sénior Masculina não irá tomar parte nos restantes jogos da edição deste ano dos playoff da Liga Masculina. Esta decisão, que não influencia a permanência do CAB-Madeira na Liga, surge após o Conselho de Administração ter esgotado todos os canais ao seu alcance com vista o financiamento da deslocação da equipa ao continente e as despesas de transportes aéreos, alojamento e alimentação que lhe estão inerentes.  A esta situação acresce que já custeamos, com os nossos próprios recursos, várias deslocações ao longo da época, sem alguma vez ter-nos sido aplicado o Princípio da Continuidade Territorial, direito consagrado constitucionalmente.“
Conselho de Administração da SAD -  Comunicado de 27.04.2012

2.  “Atentas as faltas de comparência por parte do Clube A.D.Machico e devidamente ponderados os interesses em causa, foi deliberado, nos termos do Arto 19o no2 e Arto 19o no 5 alínea c) do Regulamento de Provas da FPV em vigor, eliminar o Clube A.D. Machico do Campeonato Nacional de Seniores Masculinos – I Divisão e aplicar-lhe multa de €2000 (dois mil Euros).”

Decisão da Direção da FPV - Circular n.º 12 de 22.03.2012


3.  “Em virtude da exclusão do Porto Santo SAD do  Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Seniores Masculinos em Hóquei em Patins, deliberada pelo Conselho de Disciplina da FPP em 25 Janeiro de 2012, informam-se todos os clubes participantes no referido Campeonato que, todos jogos  em que intervinha o Porto Santo SAD são cancelados  a partir da presente data , devendo ser considerados como "Folga" os jogos ainda por disputar com aquele Clube até à conclusão da Prova atrás mencionada.”

Comunicado da FPP – 27.01.2012


Infelizmente, o infortúnio, provavelmente mais acentuado nas regiões autónomas por razões que bem se conhecem, alastra pelo Desporto Nacional. Outras desistências se alvitram no domínio das competições reconhecidas como profissionais, já para não falar dos incumprimentos salariais, a jogadores, técnicos e fornecedores em diversas modalidades desportivas.

Já não é o modelo associativo que está em causa, o modelo societário também não resiste às agruras económico-financeiras dos tempos atuais. E não é apenas o sector sénior a sucumbir, também em diversos clubes muitas das equipas de formação foram extintas e outras continuam a sobreviver graças à sustentabilidade financeira assegurada pelos "carolas" e pelos pais e encarregados de educação.

Não parecem restar dúvidas que o desporto federado vai necessitar, nos próximos tempos, de recorrer ainda mais ao voluntariado e, sobretudo, que as federações desportivas repensem seriamente a política de apoio aos clubes desportivos. É hora das entidades da cúpula desportiva abdicarem de alguns mega-projetos/eventos e até de algumas mordomias e apoiarem quem as tem alimentado nas últimas décadas.  Só assim, cúpula e base, poderão resistir e cumprir a missão que subjaz às suas existências. Concomitantemente, poderão aguardar que sobre o desporto, matéria de interesse público, mas apenas quando interessa, recaia a atenção governativa com a instituição de mais um grupo de trabalho para no prazo de 45 dias apresentar propostas para solucionar este descalabro nacional.

PS. Valha-nos a Telma Monteiro, bem haja, para alegrar os nossos corações e neles depositar esperança para almejarmos o pódio nos JO/Londres2012.

terça-feira, 20 de março de 2012

As dívidas das autarquias:e agora?

É de elementar justiça destacar o importante papel das autarquias no desenvolvimento desportivo local e nacional. Mas sempre me impressionou a capacidade financeira de alguns municípios para acolher eventos desportivos de forte despesa pública. E, em muitas ocasiões, interroguei-me onde iam esses municípios descobrir os meios financeiros para o que gastavam. E o que aqui se diz para os eventos se aplica ao financiamento à dimensão profissional do futebol indo ao extremo de colocar capitais públicos em sad’s.
A publicação do anuário dos municípios portugueses não esclarece de todo aquela minha dúvida. Mas ajuda a perceber que alguns desses municípios, tão pródigos a gastar no espetáculo desportivo, estão afinal profundamente endividados e andaram a gastar o que não tinham. É certo que esse endividamento se não deve ao que gastaram com o desporto. Mas a uma atitude relapsa face à gestão. Mas permite perceber que não há milagres que permitam transformar as economias autárquicas. Sobretudo quando, como agora, há limites ao endividamento e a banca coloca restrições ao crédito.
Alguns, durante muitos anos, alertaram para a deriva autárquica onde se gastava muito em projetos de duvidoso aproveitamento para as políticas desportivas locais. No erro que consistia em se concentrarem recursos significativos quase sempre centrados na dimensão do desporto-espetáculo e na sua comercialização. Numa política de infraestruturação desportiva decorrente da opção anterior sem preocupações de exploração e de sustentabilidade.
O argumento sempre invocado, o de que não era uma despesa mas um investimento que replicava condições de desenvolvimento local muito para além do desporto, está à vista: milhares de recursos gastos em espaços desportivos, alguns obsoletos e com uso muito aquém do previsto; eventos cuja precaridade de aproveitamento se esfumou; uma dimensão profissional em constante precaridade.
Agora, como o tempo político e económico é outro, não há solução que não seja arrepiar caminho. E disso se queixam muitas organizações desportivas que deixaram de poder receber os apoios que durante muitos anos estiveram disponíveis. Contrariamente ao que por aí se anda dizer a crise não é uma oportunidade. É uma inevitabilidade que tem imensos custos e não apenas financeiros. As autarquias vão sofrer com os apertos a que vão estar sujeitas; os munícipes vão ter um pior serviço público e as organizações que sustentaram uma parte das suas atividades com apoios autárquicos verão essas atividades soçobrarem perante a escassez de recursos.
Tudo isto ocorre num ambiente em que se acentua um garrote sobre o poder local com os municípios, a tenderem a deixar de ser poder para passarem a ser administração. Esta passagem vai fazer-se sob a égide das exigências do plano de ajuda externa e da necessidade de controlar a despesa pública. Não é excessivo reconhecer que com consequências imprevisíveis para o futuro do exercício autárquico Mas não só. Com todas as contradições inerentes a processos de transformação se, nos últimos trinta anos, o desporto português sofreu alterações deve-o em parte significativa ao papel das autarquias. Mudar este papel terá consequências no próprio desenvolvimento do desporto.
Acresce, a esta dificuldade objetiva, uma outra, de âmbito subjetivo e ideológico: a rotina de pensamento a que estamos sujeitos e que nos amarra a modelos de interpretação da realidade que se constituem como armadilhas que dificultam o enfrentar da situação. E a mais letal é aquela que centra o alvo das políticas desportivas locais no apoio a dimensões do desporto que se não repercutem na facilitação do seu acesso e na qualidade das suas práticas, aos cidadãos/munícipes. A reversão da situação atual só pode ter este destino: um retorno à sua obrigação/vocação original. Exigindo, por outro lado, um escalonamento diferente das prioridades em matéria de política desportiva nacional de modo a permitir hierarquizar apoios em função das dimensões sociais e da economia das diferentes modalidades. Sendo um caminho difícil requer muita reflexão e um diálogo alargado entre poderes políticos e os organismos desportivos.
Os constrangimentos financeiros que obrigaram o país a recorrer a uma ajuda externa impõem condições de extrema severidade. Autoridades políticas e responsáveis desportivos devem, por isso, fazer o que estiver ao seu alcance para minorar esses efeitos. E só o conseguirão se concertarem estratégias e convergirem nos objetivos. Nunca como hoje, face à escassez de recursos, foi tão necessária a sinergia e a convergência entre os vários atores e agentes políticos e desportivos.Oxalá seja isto que se está a passar com o anunciado projeto Ambição Olímpica ,no qual ,segundo as palavras do seu promotor se espera gastar entre 1,5 a 2 milhões de euros.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Será verdade?

1 .

“Antes do arranque da digressão europeia “5x5”, que teve lugar esta terça-feira, dia 14 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, os Simple Minds visitaram o Estádio Nacional do Jamor, onde foram recebidos por Augusto Baganha, Presidente do Instituto do Desporto de Portugal, I.P.”

O processo de fusão de instituições da administração pública terá também distorcido as funções dos seus dirigentes? Ou será que estará a caminho o Instituto do Desporto da Juventude e da Música?

2 .

“Em entrevista a dois jornais, D. Manuel Monteiro de Castro defendeu que a mulher deve poder ficar em casa e que «não há melhor educadora que a mãe.”

“D. Manuel Monteiro de Castro assinalou ainda situações em que a «a mulher tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa o marido quer falar com ela mas não tem com quem falar.”

O melhor é nunca perguntarem ao novo cardeal se as mulheres devem praticar desporto ou até exercê-lo como uma profissão…sacrilégio será a resposta pela certa.

3.

“Os jogadores não têm de apoiar o meu projecto, apenas preciso do apoio do dono [do clube]”, disse André Villas-Boas

Ler declarações desta natureza desacreditam tudo o que a vivencia desportiva ensina e tudo o que se estuda sobre treino, motivação ou liderança. Esperamos pelas memórias deste treinador para aprendermos coisas novas…

4.

"Um desvio de 40 mil euros esteve na origem da demissão de Henrique Torrinha da presidência da Federação Portuguesa de Andebol, apurou o Correio da Manhã."

A ser verdade, será que os órgãos federativos se ficarão pelos argumentos invocados de impossibilidades pessoais e de saúde? E a tutela do desporto que fará, face aos dinheiros públicos que estão em causa?