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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Viva o desporto na Faculdade de Desporto da UP

Sexta-feira e sábado próximos realiza-se a I Convenção Internacional de Gestão do Desporto, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

O programa sendo aliciante não é aquilo que, agora, se pretende enfatizar.
O que verdadeiramente é digno de registo – inclusive para outras escolas reflectirem sobre a iniciativa – é que a organização assenta, no fundamental, num grupo de alunos daquela escola.
Estudantes dos três ciclos de estudos compõem a Comissão Organizadora e os colaboradores mais directos também nesse universo têm a base do seu recrutamento.

Um evento desta grandeza, com este modelo de organização, só pode ser algo de muito positivo para os futuros gestores desportivos. Por isso e muito mais, a manifestação do nosso apoio e o envio dos nossos parabéns.

domingo, 8 de maio de 2011

Só faltava serem os médicos a prescrever exercício físico!

Do Professor Rui Garganta, da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto, recebemos o seguinte texto para publicação.



A Colectividade Desportiva muito agradece.


Confesso que fiquei chocado com o artigo do Jornal Expresso do Professor e colega de profissão Luís Sardinha, de 9 de Abril de 2011, com o título “Mexa-se mais: foi o médico que receitou”.
Numa altura em que o nosso país está a importar médicos para fazer face às exigências do Sistema Nacional de Saúde, e nos confrontamos com um excesso de profissionais de Desporto, só um “político deste gabarito” se poderia lembrar de implementar uma estratégia que vai dar mais trabalho e/ou responsabilidade aos médicos, que já não têm tempo para exercer a medicina convencional e tirar, o pouco que existe, aos seus colegas de profissão.
Porventura, o colega já nem se lembra que se licenciou em Educação Física!



Quando li o título do artigo pensei que os políticos tiveram o bom senso de entender que o “exercício é saúde” e iam voltar a baixar o IVA. Achei, no entanto, estranha a fotografia do Colega Luís Sardinha, de fato e gravata em cima de um tapete rolante. Eu sei que o fez no “seu laboratório” e talvez nunca tenha, porventura, subido para nenhum, porque isso de fazer exercício físico tem os dias contados. Pelos vistos, o que para si interessa é “Mexer”, nem que seja de fato e gravata em cima de um tapete rolante. Já agora: o colega fez alguma pós-graduação em culinária?



Mexer o quê? E a foto que vem no artigo é para gozar com os profissionais que trabalham nos ginásios? Diz que a actividade física é saúde, vai retirá-la da competência exclusiva dos profissionais do Desporto e tem o desplante de se fazer fotografar em cima de um tapete rolante? É indigno o que pretende fazer aos seus colegas de profissão, porque como responsável do Instituto de Desporto de Portugal (IDP) saberá que o fitness é, atualmente, a principal saída profissional! Caro colega e político da nossa praça, espero que os profissionais de fitness tenham consciência do mal que lhes está a fazer e tomem as medidas que entendam mais adequadas!


Num contexto de crise geral e dos estabelecimentos de fitness em particular, apoquentados que estão com a decisão, obviamente injusta, do aumento do IVA de 6 para 23%, o programa que o colega Luís Sardinha vai importar para Portugal, para além de desconsiderar o que se faz nos ginásios, permite que os médicos substituam os seus colegas de profissão na prescrição de exercício físico. Neste ponto, até o jornalista do Expresso refere: “Surpresa, o ginásio fica de fora”.
Diz no artigo que o programa é importado dos Estados Unidos da América (EUA) onde está a ser aplicado desde 2007. Refira-se, a propósito, que a taxa de obesidade nos EUA de 2007 (3 estados com mais de 30% de obesos), triplicou em 2010 (9 estados com mais de 30% de obesos): Pelo visto, o programa que vai importar já está a dar resultado! E a taxa de Diabéticos que continua a aumentar de forma exponencial?! Será efeito do referido programa? Não queremos com isto dizer que o programa não tenha os seus méritos, mas, como se sabe, a aplicação transcultural de qualquer tipo de programa sem a respetiva apreciação e adaptação é sobretudo “para Inglês ver”, ou, neste caso, para os seus amigos americanos verem!


O mais grave é que o seu discurso tem um registo igual ao dos médicos, que não fazem ideia do que é o exercício físico e encontram nos standards ou naquilo que ouvem dizer, formas de prescrição que dão para tudo e todos, do tipo medicamento “genérico” que tudo cura! Mas se aos médicos, embora não tolerável pelo facto de não terem formação para tal, ainda se desculpa a prescrição com base no “MEXA-SE”, a si é incompreensível. O que o colega quer é pôr os médicos a prescrever atividade física e não exercício físico. Para quem não sabe, para fazer atividade física basta “mexer para aumentar o metabolismo de repouso”. Até comer, que mexe os músculos da face e dos braços é atividade física. Para ser considerado exercício físico há que mexer-se de modo a melhorar a aptidão física.
Grande parte da atividade física, do tal “mexer”, não é eficaz: sabe que andar a 4 km por hora não tem repercussão cardiovascular significativa? Quer o artigo? Sabe que muita da atividade física, do tal MEXA-SE, quando realizada de forma desregulada e sem suporte muscular suficiente é prejudicial? Veja o exemplo das doenças articulares provocadas pelas tarefas domésticas, pelo andar em demasia, etc.


É óbvio que o colega conhecerá qual a importância do exercício físico e de como a atividade física pode apenas ser um bom complemento, porque sabe que uma das características do exercício físico é ser dose-dependente, tal como o medicamento. Por exemplo, a Aspirina, o fármaco mais vendido e mais antigo da indústria farmacêutica, doseada até 250 mg tem efeito anti-trombótico, enquanto a 500 mg tem efeito analgésico e a 1000 mg tem também efeito anti-inflamatório! Ou seja, o efeito depende da quantidade ou dose. No exercício físico passa-se o mesmo, ou seja, andar a 4 km/h, correr a 10 km/h ou a 15 km/h produz efeitos claramente diferentes. Tal como nos exercícios de força muscular, a carga (em kg) determina, em grande parte, o efeito ou resultado.
Ou seja, não chega mexer, isso resulta para o “leite creme” não ganhar grumos, é essencial fazer exercício físico!
Uma vez mais, recorrendo à analogia da aspirina, poderia dizer que ela é aconselhada para “dores, febres gripes e constipações” (mas não dá para todas as dores) e, como diz a bula do medicamento, se os sinais e sintomas persistirem, consulte o seu médico. Relativamente à atividade física, o bom senso, para quem o tem, poderia sugerir algo idêntico. Se não tem objetivos, não tem qualquer risco cardiovascular nem qualquer tipo de dor ou doença,
MEXA-SE. Se tem objetivos ou pretende fazer algo pela sua saúde, consulte um profissional de exercício físico e Desporto.


Por acaso o colega conhece a pirâmide da atividade física? Eu sei que a conhece e que também sabe que ela foi proposta por profissionais de saúde. Deu conta que nela é sugerido o “treino de força muscular” pelo menos duas vezes por semana? Sabe porquê? Para evitar a “SARCOPENIA”, que é uma doença provocada pela perda acentuada de massa muscular. Sim, é uma doença. Mas, curiosamente, grande parte dos profissionais de saúde não ouviu falar
dela, sabe porquê? Não há medicamentos para a prevenir nem para a curar! Há alguns anos, pensava-se que era apenas apanágio de pessoas mais velhas mas, como se sabe atualmente, inicia-se antes dos 30 anos em pessoas que não têm uma solicitação muscular suficiente e regular! Talvez convenha esclarecer as pessoas que a sarcopenia é um fator de risco para a osteoporose e que a única forma de a prevenir é através do treino de força muscular. O colega sabe que a marcha não a previne, porque aquela doença resulta da alteração das fibras musculares responsáveis pela força muscular e não pela resistência muscular solicitada pela marcha!
O problema é que a necessidade de mostrar serviço, leia-se “protagonismo”, fala mais alto!
Pois é, andamos há anos a debater-nos com a falta de bom senso dos médicos que prescrevem exercício físico inadvertidamente, desde a natação para quem não sabe nadar ou para quem tem osteoporose, ao estilo de “bruços” para quem tem o “peito em quilha” ou “costas” para todos os problemas de coluna, até à marcha para pessoas obesas e com graves dificuldade de locomoção! E agora vem o colega conferir-lhes o “salvo conduto” para fazerem algo que não sabem nem estão preparados para fazer!


Sabe que incitar as pessoas para que se “mexam” é semelhante ao nutricionista aconselhar alguém a “comer” ou a um médico dizer ao doente para “tomar pastilhas”.
O colega devia era de se “MEXER” do cargo em que está, criar um IDM (Instituto Nacional do Mexe-te) e dar lugar a alguém que, pelo menos, não prejudique deste modo o campo de intervenção dos seus colegas de profissão.
É claro que o colega pode vestir a pele de cordeiro e dizer que se trata de uma medida altruísta, para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, blá, blá, blá…
Esteja, pelo menos, ciente do mal que está a fazer a tanta gente: aos cidadãos porque os médicos não têm formação para proceder à adequada prescrição de exercício, aos profissionais de exercício e desporto que já se debatem com falta de trabalho e com prescrições inconsistentes ou inconscientes de médicos, e à própria classe médica que vai beneficiar de um “poder” sem bases de conhecimento suficiente para o exercer. A minha esperança é que, no meio deste equívoco, a classe médica tenha o bom senso de não prescrever exercício físico.


Repare que quando entrou para o IDP, prometeu moralizar a nossa classe profissional e legislou de forma a que apenas os licenciados em Educação física pudessem exercer a profissão nos centros de fitness. Agora vai trazer umas regras gerais para os médicos receitarem exercício físico? Sabe que nas farmácias também já se receita exercício físico? Isto é uma festa! Como não temos uma “Ordem” que nos defenda, estamos à mercê dos “espertos”. Só falta proibir os profissionais de Desporto de prescrever exercício físico? Não será uma medida para o próximo governo?


Caro colega, quer protagonismo? Já pensou em trazer um franchising que permita aos profissionais de Desporto receitar medicamentos? Nem que seja dos lights, daqueles que nem fazem bem nem fazem mal – do tipo “MEXETE”.
A nossa profissão está em crise e os médicos estão com trabalho em excesso. Para além disso, a bula de um medicamento ou o simposium terapêutico, que é atualizado todos os anos, tem mais informação sobre cada medicamento do que qualquer linha de orientação que pretende trazer para os médicos estimularem os portugueses para se mexerem. Acho que esta seria uma medida política original, embora talvez não à medida da sua necessidade de protagonismo!
Quem diria que o colega é diretor do Instituto de Desporto de Portugal!


Resta-me dizer que “o Desporto com amigos destes não precisa de ter inimigos”.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Formação desportiva - A versão do Ministério da Educação II

Em tempos deu-se nota neste espaço de duas portarias do Ministério da Educação relativas à criação dos cursos profissionais de técnico de gestão desportiva e monitor de actividades desportivas.

À época esta iniciativa veio a ser abortada, dados os protestos de vários organismos representantes dos profissionais de educação física e desporto, atendendo ao perfil de competências, claramente desajustado para uma qualificação de nível 3 que estes dois cursos ofereciam, e também em relação aos requisitos de formação superior existentes em vários diplomas legais vigentes na altura.


Mirando o seu plano de estudos este é em tudo igual ao anterior curso profissional de gestão desportiva entretanto abortado, com a diferença que atribui a certificação de nível 4 aos alunos que o concluírem com aproveitamento.

Se perspectivarmos a mais recente produção normativa no que respeita às qualificações profissionais exigidas para a gestão de instalações desportivas de uso público e direcção técnica das suas actividades é perceptível a intenção, pelo menos numa primeira instância, de:

a) Qualificar o sector com melhores níveis de formação visando a segurança das actividades físicas e desportivas;
b) Integrar os profissionais que, comprovadamente, certifiquem a sua experiência técnica no exercício da actividade;
c) Valorizar as qualificações obtidas no âmbito do sistema nacional de qualificações através da via técnico-profissional, incorporando no desporto as orientações do Quadro Europeu de Qualificações.

Procura-se, por esta via, disciplinar o sector, certificar os seus agentes técnicos e conhecer em maior profundidade a sua composição.


Num período em que é tentador cair-se na demagogia e critica gratuita é mister salientar que a formação desportiva é uma das áreas da Administração Pública Desportiva onde foi feito um esforço assinalável e um labor, ao longo de décadas, com orientação estratégica e programática para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento. Por certo nem sempre com os melhores resultados.

Caso se pretenda de facto atingir tais objectivos e, com isso, valorizar o mercado desportivo, nos seus diversos segmentos de oferta, através de maiores exigências na qualificação e formação para o exercício profissional no âmbito das actividades de educação física e treino desportivo ou da gestão das instalações nas quais estas se realizam, convém, aos primeiros escolhos que surjem, não ceder ao facilitismo e delapidar um trabalho técnico relevante através de meras qualificações administrativas de cursos cujo quadro de competências validadas é claramente desfasado em relação ao plano de estudos proposto, prestando assim um mau serviço ao desporto e ao ensino profissional, num afã de trabalhar apenas para as estatísticas da educação.

Uma ultima palavra para as entidades representantes do sector. Encontram nestas circunstâncias vários fundamentos para a sua acção e legitimidade da sua existência.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Processo de Bolonha e o Canyoning


Temos assistido nos últimos tempos a exposições e declarações públicas, com enfoque no domínio do Direito e na posição do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que resumidamente poderemos considerar tratarem da maior ou menor habilitação dos estudantes que tenham finalizado a sua licenciatura no instituído Processo de Bolonha para o exercício profissional.
Independentemente da maior ou menor assertividade das posições deste bastonário e das expressões rudes e por vezes demasiado radicais que utiliza para transmitir as suas ideias e convicções, convoco-o a este texto simplesmente para apelar à necessidade de reflectirmos acerca das consequências da formação em desporto, também decorrente do processo de Bolonha. Como é sabido, tal processo traduziu-se até ao momento, fundamentalmente, na instituição de três graus académicos, na redução dos 5 anos de licenciatura para 3 ou 4 anos e nas consequentes adaptações curriculares (basta consultar a enxurrada de diplomas com este fim na área do desporto, que vem sendo publicada há vários números na crónica de legislação da revista Desporto e Direito). Muito há ainda a fazer no domínio da total reorganização do processo formativo balizado por novos processos e novos valores, tais como o enfoque nas competências e não só nos conteúdos, nas aprendizagens e não simplesmente no ensino, na participação e envolvimento de outros agentes implicados (por exemplo nos estágios em diversas unidades curriculares do 1.º ciclo ou no estágio profissionalizante do 2.º ciclo) e não apenas nos professores e estudantes.

Contudo, independentemente de ser com base neste novo quadro que temos equacionar a formação actual e a ela nos adaptarmos com intervenções diferentes das do passado, o que importa, inexoravelmente, é reflectir acerca da formação dos profissionais do desporto no âmbito do quadro regulador existente entre nós.
E, fundamentalmente, coloco, por ora, duas questões que me parece essencial equacionar:
1.º estarão os estudantes de desporto formados pelas dezenas de instituições de ensino superior portuguesas habilitados, ao fim de 3 ou 4 anos de licenciatura, para o exercício das múltiplas profissões do sector desportivo?
2.º serão as imposições e exigências legais para o desempenho profissional na área do desporto suficientes?

Deixo igualmente algumas interrogações acerca da realidade actual (pós-bolonha), para as quais não encontro suficiente justificação:
- qual a razão para que um professor de educação física do ensino básico e secundário seja possuidor da licenciatura em Educação Física ou Desporto, complementada com o 2.º ciclo (mestrado) em ensino, e um professor de actividades de enriquecimento curricular (AEC´s ) da área disciplinar de Educação Física seja possuidor apenas do grau da licenciatura?
- O que justificará que, no recrutamento enunciado nos concursos públicos para técnicos superiores de desporto, uns municípios exijam licenciados em Educação Física, outros licenciados em Desporto, outros ainda licenciados em Gestão do Desporto (para além de outras formações)?
- Como se fundamenta que um treinador (veja-se o programa nacional de formação de treinadores) ou um profissional responsável pela orientação e condução de actividades físicas e desportivas (PROCAFD), tenha, ainda que muitos anos após os propósitos iniciais, merecido a atenção do legislador português, em detrimento da regulação da actividade de professores ou monitores das inúmeras variantes dos apelidados desportos da natureza ou desportos radicais?

Foram estas e outras inquietações que me surgiram novamente durante as 4 horas em que percorri, entusiasticamente, um rio lindíssimo do norte do País, fazendo habilidades incríveis e de alto risco, juntamente com mais 14 pessoas totalmente inexperientes na actividade, o canyoning. Os profissionais responsáveis por esta actividade de grupo não tinham qualquer formação específica neste domínio, nem licenciaturas ou mestrados pré ou pós-Bolonha, nem cursos creditados, nem formações próprias nestas actividades ministradas além fronteiras. Nada! Que inconsciência dos vários intervenientes e implicados: consumidores, empresa que presta o serviço, profissionais em causa e, em último lugar, Estado que não acautela os bens maiores dos seus cidadãos.

Nesta fase de mudança na formação em Desporto operada pelo processo de Bolonha, era tempo de parar para se reflectir e decidir convenientemente acerca da formação a ministrar aos futuros profissionais deste vasto sector social, assim como nas acções de formação a exigir para aqueles que já actuam nos mais distintos domínios da actividade desportiva sem a imprescindivel formação, a bem da melhoria da prestação desportiva, da saúde e da vida dos praticantes/consumidores desportivos.

sábado, 28 de novembro de 2009

Oportunidades no fenómeno desportivo

Aquilo que a grande maioria da bibliografia utiliza para diferenciar uma boa ideia de uma oportunidade é que esta última conduz a que essa boa ideia vá preencher uma necessidade ou lacuna existente num mercado, seja ele qual for.

Perante isto, os que de alguma forma, directa ou indirectamente, são formados em desporto e/ou trabalham no sistema desportivo afirmam constantemente que o sistema desportivo e os vários sectores desportivos necessitam de ferramentas de gestão, mais bom senso, indicadores credíveis, melhores dirigentes, melhores comportamentos, mais equipamentos de apoio, formas de credibilizar a oferta de serviços desportivos, etc.

Destaca-se claramente a necessidade da mudança (e sabemos bem como pode ser desconfortável, mais para uns do que para outros) e um espaço sedento de ideias que preencham as tais necessidades e lacunas da população, da sociedade e do fenómeno desportivo em si.

Perante esta conjugação de factores, o não aparecimento regular de ideias que preencham essas tais necessidades e lacunas, quer pelas pessoas que já trabalham no e para o desporto, quer em concursos como por exemplo o Poliempreende, deve-nos colocar (ainda mais) em alerta.

Será a falta de atractividade do mercado? Falta de credibilidade vs dificuldade? O não interesse dos que já cá andam em receber pessoas e ideias novas? Ideias que se tornem em oportunidades, provocar tantas alterações, instalando o receio em alguém? Não passam de suposições as razões para a nulidade de interesse do empreendorismo e inovação nestas áreas, mas a mesma nulidade é uma realidade.

Num País que apresenta um índice baixo de participação desportiva regular (os estudos indicam sempre valores entre os 24 % a 30 %), vai com alguma regularidade dinamizando eventos desportivos de média e grande dimensão, tem um número elevado de instituições universitárias/politécnicos a oferecer cursos de Educação Física, Treino Desportivo, Gestão do Desporto, etc., seria de pedir mais (ou oferecer?) aos estudantes e interessados da área que apresentassem ideias mais inovadoras e se tornassem em oportunidades de negócio ou criássemos melhores condições, pelo menos, para as suas apresentações.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Formação desportiva - A versão do Ministério da Educação

Nas últimas semanas gerou-se nas escolas, e em outras instituições que operam com o sistema desportivo, um profundo mau estar entre os profissionais de educação física e desporto devido a duas portarias do Ministério da Educação relativas à criação dos cursos profissionais de técnico de gestão desportiva e monitor de actividades desportivas, atribuindo, em ambas, a certificação com o nível secundário de educação e o nível 3 de formação profissional.

Mirando o perfil de desempenho à saída dos cursos, constante do anexo 2 das referidas portarias, são várias as incongruências e atropelos em relação ao disposto em diversos diplomas legais, nomeadamente no domínio da formação desportiva e das qualificações necessárias à assunção de tarefas de responsável técnico em instalações desportivas de uso público.

O conjunto de competências validadas para os alunos que concluem estes cursos do ensino secundário é claramente desmesurado e exorbitante em relação ao seu plano de estudos. Trata-se de um perfil de competências ao nível de uma licenciatura em ciências do desporto, conforme se pode apreciar num qualquer plano de estudos das várias instituições de ensino superior nesta área.
Disso deram conta os protestos veementes das associações representativas dos profissionais de educação física. Da parte dos gestores desportivos não tive conhecimento de qualquer tomada de posição pública.

De acordo com informação de Vasconcelos Raposo no seu artigo de opinião semanal no jornal A Bola, o processo de publicação em Diário da República foi travado in extremis, apesar dos cursos já fazerem parte da informação de oferta formativa para o próximo ano escolar em diversas escolas do país. Basta uma pesquisa na internet para apurar vários exemplos semelhantes ao que aqui fica. Mais. Ainda hoje é possível aceder às duas portarias no serviços oficiais do ministério.

Não deixando de saudar o facto de se ter corrigido – a confirmar-se - mais um malabarismo do circo da 5 de Outubro e outro dos tradicionais desencontros entre desporto, educação e formação profissional; estão bem patentes, há algum tempo a esta parte, vários sinais de alerta que devem preocupar os profissionais de educação física e desporto, bem como os responsáveis políticos, sobre a qualidade – quando não a legalidade – de ofertas educativas e formativas na área do desporto ao nível do ensino profissional e profissionalizante, contribuindo para desqualificar o mercado de serviços desportivos e a competência técnica dos seus profissionais junto do público.

Há que assumir que estas portarias apenas formalizam, para o ensino público, uma realidade que floresce noutros segmentos de ensino e formação profissional, por vezes, financiados com dinheiros públicos. Os exemplos, esses, estão também aí à distância de um clique para quem queira fazer algo!

Há que assumir as enormes lacunas na regulação da formação de vários agentes desportivos, em particular naqueles com responsabilidades na prescrição do exercício. Esta foi apenas mais uma de inúmeras manifestações dessa realidade, em versão de final de mandato.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

"Acontece com os livros o mesmo que com os homens, um pequeno grupo, desempenha um grande papel"


O Direito do Desporto em Portugal está profundamente ligado ao trabalho de uma pessoa. O seu nome é José Manuel Meirim.

Não vou enunciar a qualidade e quantidade do seu labor de duas décadas sobre esta área do saber, pois as suas obras falam por si.

Para o provar foi publicado mais um livro com estudos, notas e comentários sobre a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto.

Deixo aqui uma palavra de incentivo ao amigo, sempre disponível e atento, para que continue a produzir e a publicar a sua visão do desporto, nos mais diversos locais e nas mais diversas formas, valorizando a formação de todos aqueles que se interessam pelo Direito e pelo Desporto.

Trata-se assim de um importante dever de cidadania desportiva.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Do Desporto ao Direito e de volta ao Desporto (acompanhada pelo Direito)



Numa recente ida à Faculdade de Motricidade Humana constatei que alguns alunos visitam este espaço e dele retiram utilidade.
Daí que dedique este texto aos alunos das escolas superiores de desporto.

Ente 1978 e 1981 praticou voleibol; entre 1977 e 1993, também praticou andebol; foi internacional A em mais de 90 jogos; foi treinadora e seleccionadora de andebol de várias selecções femininas a nível regional; foi treinadora de crianças; foi dirigente desportiva.

Licenciou-se em Educação Física, na Universidade do Porto, em 1988; licenciou-se em Direito em 1997; alcançou o grau de mestre em Gestão desportiva com classificação final de Muito Bom, no ano de 2001; “tirou” uma pós-graduação em Direito do Desporto, em 2002; foi docente de educação física em escolas secundárias; foi monitora no ISEF da UP, foi assistente convidada do ISMAI; foi advogada; foi docente de mestrados na Faculdade de Desporto da UP; é casada; tem um filho.

No passado dia 13, no dia da assinatura do Tratado de Lisboa, tenha lá o valor que tenha para as nossas (vossas) vidas, concluiu com êxito as provas de doutoramento em Ciências do Desporto (Gestão Desportiva), na sua Faculdade.

Foi e é assim a Maria José Carvalho.

E o princípio que a norteou encontra-se bem retratado num tema de um grupo para muitos de vós desconhecido – bem como para ela –, os Sparks.

How do I get to Carnegie Hall?
Practice, man, practice

Lil’ Beethoven
An album by Sparks
2002

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A propósito dos exames dos professores

No passado dia 8 foi aprovado em Conselho de Ministros um Decreto Regulamentar que estabelece o regime da prova de avaliação de conhecimentos e competências dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
Enquanto se aguarda pela publicação deste diploma, já se sabe que, de futuro, quem pretender ser professor terá de se submeter a esta prova nacional, que incidirá sobre competências transversais às diversas áreas de docência e sobre conhecimentos de ordem científica e técnica próprios de cada disciplina.
Registaram-se já opiniões díspares: por um lado, a Confederação Nacional das Associações de Pais considera que a prova de ingresso na carreira docente vai fazer uma "triagem" nos candidatos a docentes e pôr fim ao "facilitismo" no acesso à profissão. O seu presidente, Albino Almeida, adiantou que “as provas de acesso não deviam existir, mas compreende-se porque a formação inicial dos professores não é a melhor". Por outro lado, os sindicatos do sector da educação repudiam tais provas de ingresso na carreira docente, pois põem em causa a acreditação das Instituições do Ensino Superior e, se o Governo tem dúvidas relativamente a esta acreditação, então terá de pôr em causa os critérios de avaliação dessas instituições.
Este delicado assunto recordou-me uma pesquisa que fiz há dois meses, por motivo que nada tem a ver com a presente questão, relativa à oferta de cursos existentes no domínio do Desporto e Educação Física. O resultado foi o seguinte:
- Desporto e Bem-Estar
- Aptidão Física e Saúde
- Ciências do Desporto
- Ciências do Desporto, Variante de Gestão e Lazer
- Condição Física e Saúde no Desporto
- Desporto
- Desporto e Actividade Física
- Desporto e Educação Física
- Desportos e Lazer
- Desporto de Natureza e Turismo Activo
- Desporto de Recreação
- Desporto, Actividade Física e Lazer
- Desporto, variante de Condição Física
- Desporto, variante de Desporto de Natureza e Turismo Activo
- Desporto, variante de Gestão das Organizações Desportivas
- Desporto, variante de Psicologia de Desporto e Exercício
- Desporto, variante de Treino Desportivo
- Educação Física
- Educação Física e Animação Social
- Educação Física e Desporto
- Educação Física e Desporto Escolar
- Educação Física, Saúde e Desporto
- Gestão do Desporto
- Gestão das Organizações Desportivas
- Motricidade Humana
- Treino Desportivo

Claro que seria fastidioso indicar neste espaço todas as instituições que ministram estes cursos e as diferentes vagas de que dispõem. No entanto, como calculam, muitos destes cursos existem em várias instituições repartidas por faculdades, institutos superiores, institutos politécnicos e escolas superiores.
Quem permitiu tal pulverização ao nível da formação de professores? Quem criou expectativas de futuro e ofereceu o desemprego em troca? Será que a aprovação de tal diversidade de cursos teve, na base, a avaliação criteriosa dos respectivos programas e da formação efectuada?
Muitas outras questões se poderiam colocar neste âmbito, mas também em relação aos ditos exames, e em relação aos prémios nacionais atribuídos a professores, contudo o texto já vai longo e salta-me outro pensamento: eu, que já me submeti a diferenciados tipos de avaliação, inclusive aos de uma ordem profissional, já vi mais distante e com piores olhos uma Ordem para a classe dos Professores.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Mérito internacional

“A Faculdade do Desporto da Universidade do Porto tem a melhor formação superior de treinadores de futebol da Europa e provavelmente do Mundo”.Esta afirmação ouvia, ontem, numa reunião no centro de treinos do Manchester United e foi testemunhada por mais dois portugueses que me acompanhavam. Na circunstância relataram-me os contactos regulares que alguns dos mais importantes treinadores de futebol têm com professores daquela faculdade tendo-me mesmo sido referido o nome do Professor Vítor Frade. Não pude deixar de pensar que, tal como sucede em vários outros domínios da vida pública e de personalidades portuguesas, é mais fácil de obter o reconhecimento internacional das nossas qualidades e capacidades que o reconhecimento no próprio país.