domingo, 17 de abril de 2011
A televisão e o desporto
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José Manuel Meirim
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Karaté: arte marcial ou desporto de combate ? (I)
De Armando Inocentes recebemos este contributo, que se agradece.
Foge este post um pouco aos assuntos ultimamente discutidos em “Colectividade Desportiva”. Mas surge a bem de um alargamento do leque de discussões e do esclarecimento sobre modalidades ditas “menores”...
Na mitologia romana Marte era o deus da guerra. É normal falarmos de “arte marcial” quando assistimos a uma competição ou uma demonstração de Judo, de Taekwon-do, de Kung-Fu ou de Karaté. Centremo-nos neste último...
O termo «karaté» é um estrangeirismo até incorrecto, pois só em 1936 foi o termo «karate-do» o adoptado (e que significa “a via das mãos vazias”) no Japão. Será uma arte marcial hoje em dia? Será um desporto? Em caso afirmativo, que tipo de desporto?
Enquanto na grande maioria das modalidades o praticante domina um objecto (bola, disco, dardo, patins, raquete), nos «desportos de combate» o dominar o adversário é o fim último – o objecto é neste caso um ser que age e reage, um ser que pensa e que sente. Nos “desportos de combate” não há um elemento dinâmico (ser humano) e um elemento físico (objecto), pois existem dois elementos dinâmicos, autónomos, criativos, dispondo de uma motricidade intencional, que se opõem e confrontam até se designar um superior ao outro segundo certos parâmetros. O facto de ambos procurarem a vitória, de um procurar submeter o outro confinado pelos critérios pré-determinados, o facto de um procurar dominar o outro segundo certas regras, o facto de um ter de se superiorizar ao outro para ser declarado vencedor encontra, de facto, a sua origem no universo guerreiro. O contacto corporal que existe nos desportos colectivos não se confunde com o contacto corporal directo intencional nos «desportos de combate». Nestes, o corpo do outro é objecto e objectivo da acção. Centramo-nos aqui no Kumite (vulgo “combate”), ficando a outra prova, a Kata (sequência de formas técnicas, “combate” contra quatro adversários imaginários), como representação, a estilização do mesmo.
Mas se qualquer jogo é um simulacro de combate em que não há derramamento de sangue e em que a morte é simbólica, ritualizada, verificamos que no desporto o verdadeiro «combate» não existe. “O combate é a verdadeira actividade guerreira (...). Combate significa luta, e nesta o objectivo é a destruição ou conquista do inimigo, e o inimigo, em combate particular, é a força armada que se coloca em oposição a nós” (Clausewitz, 1997).
A representação guerreira do combate (simbólica), regulamentada, a simulação da violência, e o confronto lúdico, a sua institucionalização, levam-nos a conferir hoje em dia ao Karaté o estatuto de desporto. O simbolismo presente no mesmo faz com que tenha mais sentido falar em «jogo» do que propriamente continuar-se a falar em «combate».
E não estará o Kumite (etimologicamente “encontro de mãos”, normalmente designado como «combate»), numa aproximação a um conteúdo histórico, mais próximo do «duelo de desagravo» do que propriamente do «combate»?
Mas a Sistemática do Desporto apresenta-nos hoje a seguinte Taxonomia: Desportos Colectivos, Desportos Individuais, Desportos de Combate, Desportos de Confrontação Directa, Desportos de Adaptação ao Meio e Desportos de Grandes Espaços (Almada, 1992). Peixoto (1997) apresenta ainda dois planos taxonómicos: um semelhante ao anterior, designado por «Desporto», e outro ainda que designa por «Educação Física e Desporto».
Sem dúvida que nesta Taxonomia se integra o Karaté nos Desportos de Combate.
Como características mais marcantes pode-se dizer que estes privilegiam o conhecimento do “eu” no confronto com situações críticas (a noção de morte, mesmo que simbolizada, está sempre presente) e no diálogo com o outro. A principal variável em jogo é precisamente o conhecimento do “eu” total integrado no grupo (Almada, 1992).
Também Rodrigues (s/d) apresenta como características marcantes (competências) deste grupo taxonómico de actividades desportivas as seguintes: capacidade de ler o opositor e consequentemente ter uma maior capacidade de antecipação, capacidade de encaixe em situações críticas e capacidade de defender, atacar e fintar em função do opositor e do contexto. Mas Rodrigues (id.) refere que os Desportos de Confrontação Directa têm como característica mais marcante o diálogo com o adversário, e que normalmente é realizado através de um “objecto interposto”. Embora sejam idênticos aos desportos colectivos quanto aos objectivos, estes diferem daqueles quer pelas dinâmicas geradas, quer pelo número de jogadores envolvidos quer ainda pelas interacções daí resultantes. Como principais competências salienta a capacidade de diálogo com o opositor, a capacidade de colher indicadores úteis no opositor, a capacidade de iludir o opositor e a capacidade de transmitir mensagens ajustadas ao opositor e ao contexto de cada situação, o que também coloca o Karaté muito perto desta nomenclatura – Desportos de Confrontação Directa.
Veremos num próximo post qual a melhor terminologia para esta modalidade.
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José Manuel Meirim
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Modalidades desportivas
terça-feira, 12 de abril de 2011
Inteligência emocional no desporto
A inteligência emocional surgiu há uns anos fruto da maior dedicação e pesquisa nas áreas comportamentais. Na altura, muitos defenderam que 'substituiria' o conceito de inteligência que prevalecia na altura. Hoje, a emocional vincou e vão surgindo outras como a espiritual e a ecológica. Interessante para quem trabalha no desporto, que muitas teorias defendem que na prática desportiva propriamente dita - mais ao nível dos desportos colectivos - a mesma tenha uma grande preponderância na correcta tomada de decisão, logo, na vitória e/ou sucesso, especialmente em ambientes onde é exigida a competência máxima.
Daniel Goleman, um dos grandes investigadores na área, embora não tão aceite na vertente mais académica, defende que independentemente dos estilos de liderança que existem, os líderes mais eficazes têm apresentado algo em comum: todos eles têm um alto grau do que se denomina inteligência emocional.
Significa que possuem uma autoconsciência, autodisciplina, motivação, empatia e habilidades sociais que lhes permitem entender, primeiro, a sua própria constituição emocional, e em segundo, as outras pessoas para direccioná-las na direcção e na concretização dos objectivos dos seus projectos, equipas ou organizações.
Mas também não significa que a inteligência emocional e o que a constitui seja a única variante importante. No desporto e nas outras profissões/áreas, as habilidades técnicas são relevantes, elas são o requisito para aceder a algumas posições e rendimentos de top. Quando se junta as temáticas de liderança e equipas ainda ganha mais importância a inteligência emocional dado que esta permite a habilidade de trabalhar em equipa e a eficácia de liderar compromissos individuais e colectivos.
O desporto tem oferecido inúmeros exemplos de estudo para estas áreas, alguns bem interessantes. Os treinadores, os jogadores das equipas e dirigentes têm percebido a vantagem da inteligência emocional, mesmo em estilos e em contextos de decisão centralizadora e autoritária. Estes estilos não são nem 100 % fiáveis nem 100 % correctos. O que acontece é que existem contextos que são mais compatíveis com estas situações sempre muito 'coladas' às pessoas com alto grau de inteligência emocional.
Contextos onde se assume a responsabilidade e se tenta criar uma missão e visão para as equipas e organizações. Onde existem indicadores de avaliação, objectivos e uma comunicação com bastante feedback bidireccional. Onde as regras sejam claras e concretas, em que se queira orientar para quem chega de novo. Ambientes com a liderança a ser reconhecida e não autoritária. O processo de desenvolvimento de competências seja algo assumido como sustentável a médio-longo prazo, motivados e comprometidos.
Mais uma vez, a tal decalage entre a realidade da prática desportiva e do dirigismo.
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Rui Lança
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
O direito circulatório
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josé manuel constantino
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Futebol português ? (2)
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José Manuel Meirim
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
8 e 80
Se em momentos de crise enquanto uns choram outros vendem lenços, existem sectores e actividades que podem facilmente capitalizar vantagens nestas ocasiões posicionando-se no lado daqueles que vendem lenços.
Num primeiro olhar a actividade e o exercício físico poderiam ser um desses casos. Senão vejamos: Por força das circunstâncias que o país atravessa o crescimento do desemprego, o emprego em regime parcial ou o aumento do número de reformados, compõem uma base cada vez mais significativa de indivíduos com elevado tempo livre disponível. Por outro lado, os actuais preços dos combustíveis impelem a outras opções de mobilidade. Ora, neste cenário, o exercício e a actividade física são talvez dos consumos de tempo livre que exigem menores disponibilidades financeiras. Quer para quem pratica as actividades, quer para quem as procura promover e organizar, dado que o espaço público facilmente se ajusta a este tipo de realizações.
Curiosamente celebrou-se ontem o Dia Mundial da Actividade Física. Salvo raras excepções em alguns municípios, passou ignorado no nosso país, contrariamente ao sucedido em vários pontos do planeta.
A actividade física, móbil de tanta controvérsia, que mereceu honras de figurar, em primazia, no título da lei-quadro do desporto, e com ele estabeleceu um casamento de conveniência, desagregando-a do seu habitat natural - as políticas de saúde pública - não saiu particularmente valorizada desta aliança postulada por uma corrente doutrinária com cada vez mais seguidores. Quanto mais se funde, e confunde, com o desporto, tanto maior são as limitações ao seu potencial efeito sobre os tempos de lazer e recreio das populações.
O desporto tem na sua matriz basilar a selecção e a valorização do mais apto. O exercício e a actividade física, pelo contrário, visam promover a inclusão e a generalização. São mais os pontos que, à partida, os separam, daqueles que os unem. Prosseguem objectivos diferentes.
Conheci e privei com inúmeros praticantes desportivos, de diversas idades e condições sócio-económicas, nunca conheci um único que tenha invocado o sedentarismo como o motivo que o aproximou do desporto. Mas conhecem-se inúmeros sedentários supostamente “especialistas” em desporto e nas suas diversas modalidades. Germinam em programas de televisão, páginas de jornais, bancadas de estádios e nos sofás de cada lar.
No entanto, tal não significa que o desporto não possa ter um papel importante no objectivo primordial do exercício e da actividade física que é, afinal, a promoção da saúde através de medidas de combate ao sedentarismo. O erro de casting está em atribuir-lhe o papel principal e considerar o problema do sedentarismo, prioritariamente, como um problema do desporto. Quando não o é. Com todas as consequências nefastas desse tropismo ideológico.
A sua raiz reside no conceito sociológico de estilos de vida, ou, simplificando, nos processos e atitudes com que as pessoas se relacionam e interagem com o meio físico e social. Como o inculcam e o traduzem nos seus hábitos e rotinas quotidianas nas sociedades modernas.
É na forma como se projecta e programa o espaço público -não apenas como espaço físico e arquitectónico, mas também como espaço de sociabilidade, de cultura e afirmação cidadã - que se intervem, em primeira instância, sobre os estilos de vida e consumos saudáveis, recentrando a cidade no indivíduo e na comunidade, e, por essa via, reconfigurando as inúmeras tendências que o remeteram para o sedentarismo e outras formas de exclusão, mais ou menos aceites socialmente, que hoje se reproduzem no território.
Como? Veja-se nesta apresentação.
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João Almeida
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Depois de uma galinha,um porco
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josé manuel constantino
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Política desportiva
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Temos ou não temos o País que merecemos?
Pessoa A – Tu não achas que temos o País que merecemos? Eu acho!
Pessoa B – Eu não acho, eu trabalho, tenho funções, não ando aí a viver à conta de subsídios e outras coisas.
Pessoa C – Eu também não acho.
Pessoa D – Os outros como os políticos e amigos é que vivem bem e não fazem nada, só nos lixam!
Pessoa A – Mas este país está assim porquê? E se vocês não acham que não têm o que merecem…o que merecem ter? E é partilhado? Se é partilhado…porque não lutam por isso juntamente?
Portugal como País, como tudo, é a soma daquilo que fomos fazendo por ele e ainda fazemos. Umas vezes melhor outras menos bem, melhor antigamente pior agora ou vice-versa, não sei bem, mas o total da soma não é nada gratificante nos dias que correm, presumindo que a soma de todas as partes deve ser constituída por uma maior parte que rema contra ou nem sequer rema, que uma pequena parte deve remar bem mas para lados distintos e uma parte ainda menor pode até remar ou querer remar conjuntamente e alinhada!
Poucas áreas da sociedade fogem da abordagem sistémica. Poucos não se encaixam nesse sistema. Por isso, um conjunto de pessoas, uns mais ligados entre eles, conjuntos de duas, três ou cem pessoas, estamos quase como atados uns aos outros, em que o que fazemos é resultado de algumas acções ou decisões anteriores e o que fazemos pode e condiciona outras acções de pessoas que nem conhecemos. Tal como aquela sátira de dois burros atados e virados para locais opostos a olhar para as suas refeições. Em que os dois puxam cada um para seu lado para ver se chegam à sua comida, não entendo que negociando, podem chegar facilmente às duas refeições sequencialmente.
Na vertente desportiva não faltam exemplos de que aquilo que temos neste momento em Portugal não nos podes escandalizar assim tanto. Podemos não concordar. Podemos não nos identificar. Podemos até actuar de forma a não acontecerem, mas…até hoje, continuam a não ter o impacto suficiente para que impossibilitem situações vergonhosas, desorganizadas, faltas de respeito, etc.
Situações como as que aconteceram e ainda acontecem na Federação Portuguesa de Futebol, apenas por ser a mais mediática, porque muitas outras têm também situações desalinhadas, ilegais ou ilegítimas! Um Presidente de um dos três grandes que é eleito com 90 % dos votos e passado uns meses é contestado para sair! Objectos que são constantemente enviados para o relvado que podem matar os atletas. Pedras que são mandadas para os carros de dirigentes de clubes inimigos (e não adversários) em andamento a mais de 100 km hora. Claques que são protegidas para não sofrerem represálias de outras claques que lutam por essas ruas e estádios fora, enquanto o cidadão informal e cumpridor arrisca-se a ser agredido ou atingido por algo quando vai pacificamente a um estádio ou recinto desportivo. Dirigentes que afastam e repelem pessoas formadas e bem intencionadas. Estudantes de desporto que são tratados como peças de mercado para encher entidades. Institutos, Fundações e Organismos que existem sem fundamentos exequíveis, missão de existência ou objectivos construtivos. E parece que podia estar aqui mais umas horas a descrever casos.
Perante isto tudo, temos neste caso específico, o desporto que merecemos? Não o desporto que queremos, mas o desporto que se merece? Aquele para o qual a grande maioria das pessoas contribui? Como disse Mário Palma, actual treinador da Selecção de Basquetebol, nós gostamos de clubes e não de desporto. E depois alguns gostam de desporto! E outros gostam de Futebol. Outros de outras modalidades. Mas sempre o clube primeiro.
Antes de sermos mais a querer alterar isto, será necessário alinhar os que já existem. Para que os que se juntem à causa saibam para onde se vai.
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Rui Lança
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domingo, 3 de abril de 2011
Festa brava!
Chegados aqui entraram no «jogo» duas instituições públicas e, embora dotadas de diversa capacidade de intervenção, qual delas com pior prestação. Primeiro a Polícia de Segurança Pública (PSP) que veio, em conferência de imprensa, considerar “que a lei está do lado do Benfica e não vai interferir no controlo dos objectos que podem ou não entrar no Estádio da Luz este domingo para o embate com o F.C. Porto”. Ignorância sem limites! “A PSP «lamenta» o ambiente criado em redor deste jogo e apela aos adeptos que apoiem as respectivas equipas sem recurso à violência, defendendo que «o futebol não é uma guerra» ”. Lindo e eficaz! Adiante: “A PSP considera que essa é uma responsabilidade do promotor do espectáculo, ou seja, neste caso, do Benfica. «Nada mais podemos fazer do que lamentar, mas não vamos interferir em questiúnculas clubísticas. São os produtores do espectáculo que devem garantir a segurança dentro do recinto, só vamos interferir se o Benfica permitir a entrada de objectos que são expressamente proibidos», começou por explicar o sub-intendente Costa Ramos”. Lindo e eficaz! Ignorância sem limites! “A lei não faz referência a bandeiras, tarjas e cachecóis, mas a PSP entende que essa é uma responsabilidade dos ARD (assistentes de recinto desportivo). «Não vamos interferir, os adeptos do F.C. Porto façam como entenderem, mas se o ARD disser que não entra, não entra», acrescentou o sub-intendente, admitindo que é uma medida que pode vir a provocar tumultos e «a polícia está lá para isso». Ignorância sem limites!
Depois veio o presidente de algo meio desconhecido, mesmo quase clandestino, o Conselho para a Ética e Segurança no Desporto (CESD). Para Carlos Cardoso a lei não obriga o Benfica a deixar entrar «o que quer que seja» no seu estádio: «Gostávamos que o espectáculo desportivo fosse uma festa. Os adereços fazem parte da festa, lamentamos que isto aconteça», começa por dizer Carlos Cardoso ao Maisfutebol, para depois defender que o organismo a que preside não pode actuar: «Não há nada na lei que obrigue o promotor a deixar entrar o que quer que seja. O que a lei 39/2009 prevê é a proibição de determinados objectos, por motivos de segurança.» Ignorância sem limites! O CESD já recebeu de resto a denúncia do F.C. Porto e vai encaminhar o assunto para o Ministério da Administração Interna, responsável pelo policiamento no clássico: «Vamos comunicar ao MAI que isto se passa e alertar para que haja bom senso.» Lindo e eficaz! «É uma questão para o MAI, para as forças policiais que estiverem presentes, para que haja bom senso da parte do Benfica», prossegue, admitindo de resto que, se a proibição do Benfica se estender à generalidade dos adeptos e não apenas às claques, a situação na Luz será muito confusa: «Acho que será o caos total. O bom senso tem que imperar.» Lindo e eficaz! Quanto ao problema geral das claques não legalizadas, Carlos Cardoso diz que não está esquecido, mas é um problema complexo. Pouco mais pode ser feito do que sensibilizar os clubes. Lindo e eficaz!
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José Manuel Meirim
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Souto de Moura
Na qualidade de português fico sempre orgulhoso quando um compatriota vence uma competição ou ganha um prémio de prestígio e mérito internacional, seja no desporto ou em outra área qualquer. A semana que passou trouxe-nos a notícia que o arquitecto Souto de Moura foi distinguido com o Prémio Pritzker 2011, o mesmo que já tinha sido alcançado anteriormente por outro português, o arquitecto Siza Vieira.
Considerado como o “galardão” mais importante da arquitectura a nível mundial é de facto um orgulho para Portugal ter cidadãos que se destacam ao mais alto nível internacional na sua profissão. O conceituadíssimo Júri Internacional deste prémio considerou que a “arquitectura de Souto de Moura não é óbvia, frívola ou pitoresca”, referenciando obras que vão desde a escala doméstica à urbana, apontando os exemplos da Casa nº 2 do Bom Jesus e do incontornável Estádio de Braga inaugurado em 2003. De facto, poderemos considerar que o Arquitecto Souto de Moura, para além de excepcional, desenvolve ainda um trabalho de “banda larga”.
Mas um trabalho de banda larga em arquitectura não pode resumir-se única e exclusivamente a um produto acabado do ponto de vista estético. Seja de uso privado ou comunitário, uma edificação tem que estar preparada para responder a determinados objectivos e finalidades. No caso do Estádio de Futebol de Braga, não se discutindo a sua qualidade e inovação estética, deveria este, ter sido melhor planeado e executado para a funcionalidade que um equipamento colectivo deste género deve possuir.
O Estádio de Braga, uma instalação vocacionada fundamentalmente para o espectáculo desportivo, tem do ponto de vista funcional muitos pontos negativos, dos quais se destacam entre outros: a difícil acessibilidade ao local a pé ou em veículo; a distribuição e locais de estacionamento; as bancadas com acesso ou inferior ou superior e que exigem uma grande deslocação por parte de quem quer chegar ao seu lugar; poucos elevadores para as pessoas de mobilidade reduzida ou idosos; espaço muito frio devido à sua localização; e áreas administrativas sem luz natural ou inadequada. Quando o estado da arte sobre localização, construção e funcionalidade de Estádios de Futebol está tão desenvolvido e divulgado há mais de três décadas, é de certa forma inconcebível cometerem-se alguns destes erros básicos, facilmente detectados por todos os destinatários finais deste “produto”, nomeadamente os adeptos de Futebol.
É claro que os arquitectos, embora sejam pessoas tradicionalmente “difíceis” quando se trata de Instalações Desportivas, não são os únicos responsáveis por este tipo de situações. Os donos e promotores das obras têm também o dever de garantir um bom planeamento dos objectivos e do tipo de equipamento desportivo que se pretende. Isto torna-se ainda mais importante quanto mais elevado é o custo da obra e quando é o Estado a pagar.
Quando Souto de Moura receber pela mão do presidente norte-americano, Barack Obama, no próximo dia 2 de Junho, em Washington, esse tão prestigiado Prémio Pritzker, que seja também uma oportunidade para reconhecer o Estado Português, enquanto grande criador de oportunidades para que os arquitectos mostrem a sua obra e se afirmem como prodígios internacionais na sua profissão. Que este momento seja também importante para se reflectir que a glória e o reconhecimento internacional, nomeadamente por parte dos seus pares é importante, mas que é fundamental colocar a genialidade e ética profissional ao serviço da comunidade, assegurando-se desta forma, funcionalidade, sustentabilidade e justificação social para que determinadas obras se edifiquem, principalmente quando é o Estado e o cidadão a pagar.
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Fernando Parente
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Infra-estruturas desportivas,
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